VBP paulista é estimado em R$ 170,4 bilhões em 2026, com retração de 3,6% influenciada pelos preços agrícolas

Por: Rogério Cabral

Apesar da desvalorização em culturas de grande peso como café, cana e laranja, o bom desempenho da pecuária de corte, hortaliças e do setor florestal atenua a queda do faturamento no campo

O Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária do Estado de São Paulo para 2026 está estimado em R$ 170,4 bilhões. O dado, calculado pelo Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP), aponta para um recuo de 3,6% em relação aos R$ 176,8 bilhões consolidados em 2025. A divulgação faz parte da 2ª edição do relatório trimestral que acompanha a evolução econômica e o faturamento bruto dos principais segmentos do agro paulista.

O arrefecimento do indicador geral é reflexo direto da redução nos preços recebidos pelos produtores em atividades de grande representatividade, como cana-de-açúcar, café, laranja, soja, milho, frango, leite e ovos.

Impacto nas frutas e no setor sucroenergético

O segmento de frutas foi o que apresentou o recuo mais acentuado na comparação com o ciclo anterior, caindo 33,2% (totalizando R$ 19,2 bilhões). O comportamento decorre, principalmente, da expressiva desvalorização nos preços de comercialização de produtos tradicionais, como banana, goiaba, laranja e manga.

A cana-de-açúcar segue como a principal atividade agropecuária de São Paulo, gerando R$ 49,2 bilhões e concentrando 28,9% de todo o VBP do estado. Contudo, o complexo sucroenergético registrou um recuo de 5,9% no faturamento bruto anual frente a 2025 devido à retração das cotações.

Bovinocultura em alta e sustentação da pecuária

Em contrapartida, a pecuária paulista avançou 4,8% e atingiu R$ 56,2 bilhões. O grande vetor de crescimento foi a bovinocultura de corte, impulsionada pelo maior volume de abates e pela valorização da arroba do boi gordo. Os bovinos registraram alta de 16,9%, atingindo R$ 32,0 bilhões e consolidando-se com folga como a segunda cadeia de maior faturamento do estado, com 18,8% de participação total.

No setor pecuário, a tilápia (+18,9%) e o mel (+8,9%) também tiveram comportamento positivo, compensando as quedas observadas nas cadeias de frango (-5,6%), leite (-5,6%), ovos (-11,2%) e suínos (-22,8%).

Destaques positivos: hortaliças e silvicultura

O avanço expressivo de segmentos específicos foi fundamental para amortecer a retração média estadual. O grupo de hortaliças saltou 39,5%, alcançando R$ 6,4 bilhões. Os maiores saltos nominais ocorreram na cebola (+127,9%) e na batata-doce (+57,2%), ambos impulsionados por aumentos expressivos nos preços.

Os produtos florestais também registraram crescimento consistente (+13,7%), totalizando R$ 7,1 bilhões. O eucalipto se destacou tanto em madeira em tora (+14,6%, totalizando R$ 4,8 bilhões) quanto em lenha (+30,9%), beneficiado neste último caso por preços firmes e pelo avanço de 20% no volume de produção.

Entre os grãos — que somaram R$ 21,4 bilhões (+3,6%) —, os principais desempenhos positivos vieram do feijão (+45,8%) e do amendoim (+13,1%). Soja e milho mantiveram patamares estáveis de faturamento em relação a 2025, com R$ 10,9 bilhões (+0,7%) e R$ 5,3 bilhões (+0,3%), respectivamente.

Ranking das 10 maiores atividades do VBP paulista em 2026:

  1. Cana-de-açúcar: R$ 49,16 bilhões (28,9%)
  2. Bovinos: R$ 32,02 bilhões (18,8%)
  3. Café: R$ 10,99 bilhões (6,4%)
  4. Soja: R$ 10,90 bilhões (6,4%)
  5. Laranja: R$ 9,99 bilhões (5,9%)
  6. Frango: R$ 9,62 bilhões (5,6%)
  7. Leite: R$ 6,30 bilhões (3,7%)
  8. Ovos: R$ 5,80 bilhões (3,4%)
  9. Milho: R$ 5,29 bilhões (3,1%)
  10. Eucalipto (madeira em tora): R$ 4,78 bilhões (2,8%)

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