Soja sobe em Chicago com temor de quebra de safra no Brasil por causa de El Niño

Por: Rogério Cabral

Os preços da soja operam em alta na Bolsa de Chicago (CBOT) na manhã desta quarta-feira (28), impulsionados pelas compras de barganha e pelas preocupações com os possíveis impactos do El Niño sobre a safra brasileira 2026/27.

Segundo informações da Agência Safras, os contratos futuros da oleaginosa registram valorização pela primeira vez em três sessões, após duas rodadas consecutivas de queda.

O movimento ocorre em meio à avaliação de um estudo da Serasa Experian que aponta riscos para a produção brasileira de soja caso o fenômeno climático ganhe intensidade.

El Niño pode reduzir safra brasileira em 17,6 milhões de toneladas

De acordo com estudo divulgado pela Serasa Experian na terça-feira (27), a produção brasileira de soja na temporada 2026/27 poderá atingir 163,6 milhões de toneladas em um cenário de El Niño forte.

O volume representa uma redução de 17,6 milhões de toneladas em relação à projeção de 181,2 milhões de toneladas considerada para um cenário de condições climáticas neutras.

A diferença equivale a uma queda potencial de aproximadamente 9,7% na produção.

A possibilidade de uma oferta brasileira menor contribui para sustentar as cotações internacionais, embora o mercado ainda enfrente pressão da colheita norte-americana.

Soja avança 0,56% na Bolsa de Chicago

Por volta das 8h29 (horário de Brasília), os contratos futuros de soja com vencimento em novembro eram negociados a US$ 12,36 1/4 por bushel, com valorização de 7 centavos de dólar, equivalente a 0,56%, em relação ao fechamento anterior.

Apesar da recuperação, os ganhos permanecem limitados pelo avanço da colheita nos Estados Unidos, que amplia a disponibilidade do grão no mercado internacional.

Na terça-feira (27), os contratos com entrega em novembro encerraram o pregão cotados a US$ 12,29 3/4 por bushel, com recuo de 0,92%.

O movimento de queda foi associado à liquidação de posições por fundos de investimento, ao avanço da colheita norte-americana e à desvalorização recente do real frente ao dólar.

Com isso, os agentes seguem atentos às perspectivas para a produção sul-americana e ao ritmo de entrada da safra dos Estados Unidos no mercado.