Reino Unido contraria UE e anuncia que continuará comprando carnes do Brasil

Por: Rogério Cabral

O Reino Unido, formado por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, anunciou nesta sexta-feira (17), após reuniões entre o governo e entidades do setor de carnes, que continuará comprando proteínas animais do Brasil independentemente da decisão de bloqueio da União Europeia, da qual faz parte.

O bloco anunciou que a partir de 3 de setembro pode interromper as compras de produtos de origem animal brasileiros, o que também inclui ovos e mel, pelo fato de o país não atender suas exigências de controle do uso de antimicrobianos na produção.

Entretanto, conforme informações da Associação Internacional de Comércio de Carne (Imta), ficou acordado que o governo britânico realizará uma avaliação técnica própria antes de definir eventuais mudanças em sua política comercial. Assim, pretende analisar de forma independente os sistemas brasileiros de controle sanitário e de rastreabilidade nas cadeias produtivas de bovinos e aves.

Além disso, caberá ao Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra) conduzir uma avaliação detalhada da estrutura brasileira de fiscalização e do controle do uso de antimicrobianos. Até a conclusão desse processo, as exportações brasileiras para o mercado britânico estão autorizadas.

O anúncio dos britânicos foi comemorado pelos exportadores brasileiros, que consideram aquele mercado estratégico para a venda de carnes de maior valor agregado. Para as entidades do setor, a posição de buscar uma investigação em separado, a despeito do xeque-mate imposto pela União Europeia, demonstra confiança no diálogo técnico entre os países e cria um ambiente favorável para o Brasil dar robustez a documentos e provas que mostrem a rigidez do controle sanitário nacional.

Em 2025, o Brasil exportou 29,98 mil toneladas de carne bovina para o Reino Unido, 7,3% a mais do que em 2024. Ao mesmo tempo, a receita teve aumento de 33%, somando US$ 185,32 milhões.

Já no primeiro semestre deste ano, os embarques para lá somaram 12,47 mil toneladas, queda de 2,9% em comparação ao volume de igual período de 2025. Ainda assim, o preço médio pago pela proteína brasileira pelos britânicos teve incremento de 24,2% nesses seis primeiros meses, de acordo com dados da Comex/Stat.