*José Luiz Tejon
Uma certeza absoluta e inequívoca da vida na Terra está na mudança. Mas não basta ter essa consciência. Existem dois aspectos sagrados na gestão da mudança. A primeira está na velocidade. As mudanças fazem parte da história humana na Terra desde sempre. No início ocorriam no clima, nos conflitos, pragas, doenças e quem sobrevivia estava na mesma análise de Charles Darwin: “inteligência não está no mais forte, está no que se adapta mais velozmente”.
Mas isso ainda era lento demais. O ser humano começou a captar antes as inexoráveis mudanças e as impulsionou com o seu poder de “criação”. Criamos o inimaginável como eletricidade, descobrimos as ondas do rádio, da telecomunicação. Desenvolvemos sementes novas, anestesias, medicina e ciência da saúde que expandiu consideravelmente a idade média da vida no planeta, fomos a lua, e sabemos o destino da Via Láctea, sua velocidade e para onde está indo.
Criamos sistemas, revoluções industriais, tecnológicas, e chegamos na era digital, robótica e da inteligência artificial. Na agropecuária nos últimos 50 anos fizemos uma verdadeira revolução tecnológica e temos doravante a certeza de que os próximos 50 anos irão acontecer dentro dos próximos 5 anos.
Por isso quem irá ao futuro? Quem já ficou no passado?
Vai ao futuro quem não se deixar perder o foco. Ficar distraído em desafios e incômodos paralelos versus concentrar todas as suas atenções na natureza essencial da mudança que muda todas as demais mudanças.
Frase que aprendi com meu primeiro mentor empresarial, Shunji Nishimura, fundador da Jacto em Pompeia, quando numa das crises mutantes que estávamos passando ele me disse: “nas horas boas se prepare para as horas difíceis, invista em inovação e tenha segurança de caixa financeira. Nas horas ruins se você estiver preparado irá crescer e superar, não tema os ciclos, crises, isso sempre existiu!”
Desta forma, já dentro de uma máquina do tempo que viaja na velocidade da transformação de 50 anos em 5, fica claro ser possível identificar quem está dentro dessa máquina, versus quem ficou na estação reclamando que não sabe o que está acontecendo.
Na administração temos hoje a disposição sistemas avançados com satélites e inteligência artificial que, a partir de base infinita de dados, permite a um empresário identificar com quem ele deve fazer negócios para ir ao futuro, versus com quem ele não deve investir seu tempo, o ativo mais vital dentre todos, pois na velocidade das mudanças não temos mais tempo para perder tempo com as causas equivocadas.
Portanto, foco, decisão e escolha das inovações, das relações empresariais seguras com os clientes que vão ao futuro e alinhamento, alianças, parcerias globais muito além de fronteiras. Desta forma foco, empatia, abertura para o mundo e consciência de que amizades compõem também um dos capitais mais importantes nessa veloz viagem onde confiança além da coragem significa o fator crítico para o sucesso.
Neste complexo veloz de mudanças, onde tudo muda na velocidade da luz, portanto o poder do foco e a fuga das distrações numa era impulsionada por desinformações, má informações e fake news das mídias sociais “4 all”, surge o segundo ponto sagrado da inteligência humana que sempre irá comandar os intervalos infinitos entre os algoritmos: “aquilo que nunca mudou, não muda e jamais mudará”. O que é isso?
São valores eternos que superam séculos e milênios. São as verdades que estão registradas nas lições, nos aprendizados da humanidade que nos trouxeram até aqui, sobrevivendo e superando as maiores desgraças, dores, são os valores que nos prendem à evolução e com os quais, em paralelo, a todos os resultados mal-sucedidos podemos parar e pensar, por que conseguimos chegar até aqui?
Os valores da coragem, da confiança, da cooperação. Valores da criação onde não apenas nos adaptamos as crises mas criamos fatores anticrises. A consciência humana de que podemos evoluir com dignidade humana de vida para todos. E, sem dúvida, a força heróica da conquista, da determinação de não sermos simplesmente dominados pela mudança e, sim, sermos o comandante das mesmas.
A humildade de sempre saber que não estará perfeito e sempre será necessário refletir, corrigir. Com isso adquirimos a força automática da liderança daqueles que irão ao futuro: o caráter. Um dom que não nasce pronto. Um dom que ė aprimorado a cada instante, a cada dia. E cada vez mais essa educação para a certeza de que os próximos 50 anos serão feitos nos próximos 5 já precisa ser construído na nova criança que acabou de nascer enquanto escrevo e leio este texto.
As crianças significam esse caráter automático de inexoráveis velozes mudanças, mas também precisa ser velozmente educada para aqueles valores que não mudam nunca e que comandam aqueles que mudam a todos os instantes. Compreender a diferença entre eles significa forjar e criar desde o berço os novos líderes do presente cuja conclusão ė que já somos resultado do futuro. Ao passado aquilo que nunca mudou, valores de caráter. Ao futuro tudo. Sucesso será aquilo que você faz com o sucesso, e essa resposta será também intensamente veloz.
*José Luiz Tejon é doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai, mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie, jornalista e publicitário, com especializações em Harvard, MIT e PACE/USA e Insead na França. Colunista de várias rádios do Brasil, TVs, jornais, revistas, mídias sociais, autor e coautor de 37 livros. Coordenador acadêmico de Master Science Food & Agribusiness Management pela Audencia em Nantes/França e FECAP/Brasil. Sócio Diretor da Biomarketing e da TCA International. Vice-presidente da Fundação Brasileira de Marketing (FBM) e da ADVB – Fundação Brasileira de Marketing e Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil. Profissional Head Agro Anefac. Prêmio Personalidade Agro ABAG 2023. Ex-diretor do Grupo Estadão, da Agroceres e da Jacto S/A.