Um projeto piloto de recuperação ambiental e produtiva está sendo desenvolvido em Agudo, na região da Quarta Colônia, para recompor áreas rurais atingidas pelas enchentes de 2024. A iniciativa é conduzida pelo Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Florestal (Ceflor), ligado ao Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi), em parceria com a Emater/RS-Ascar. A implantação está prevista para este mês de junho em uma propriedade da localidade de Linha Boêmia.
Segundo os responsáveis pelo projeto, a área escolhida sofreu alterações no solo e no entorno dos cursos d’água após as enxurradas, com arraste de árvores, pedras e solo superficial. A proposta é transformar a propriedade em unidade demonstrativa para orientar planos de recuperação em situações semelhantes.
O trabalho inclui a recomposição da mata ciliar às margens do arroio Corupá e a implantação de um sistema agroflorestal (SAF) com espécies de interesse dos produtores. Ao todo, serão plantadas 100 mudas. Entre as nativas produzidas no Ceflor, em Santa Maria, estão cerejeira-do-rio-grande, goiabeira-serrana e araçá. Entre as espécies adquiridas em viveiros comerciais, estão pessegueiro e nectarineira.
A equipe técnica também identificou limitações químicas e biológicas no solo da área. De acordo com a pesquisadora Gerusa Steffen, do Ceflor, a análise apontou deficiência de nutrientes e baixos teores de matéria orgânica. Por isso, o plano prevê correção da fertilidade com fontes orgânicas e minerais, além da semeadura de plantas de cobertura de inverno para manter o solo protegido, reduzir erosão e favorecer a atividade microbiana.
Durante visita técnica, os pesquisadores registraram a presença de fungos do gênero Trichoderma em madeira em decomposição. Segundo Steffen, esses microrganismos contribuem para a ciclagem de nutrientes, o controle biológico de doenças e o estímulo ao enraizamento, fatores ligados à recuperação de áreas degradadas.
Os insumos serão financiados com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), dentro do projeto “Uma só saúde na Agropecuária”, que também realiza diagnóstico sobre impactos das enchentes em solo, cobertura florestal, produção e saúde animal em regiões atingidas do estado.
A proposta, segundo os pesquisadores, é gerar referência técnica para orientar produtores e assistência rural em processos de recomposição após eventos extremos. O projeto informa que ainda há carência de recomendações formais e validadas para o manejo de áreas rurais afetadas por enchentes, o que amplia a importância de ações demonstrativas com acompanhamento técnico.
Fonte: agricultura.rs.gov.br