‘Precisamos verticalizar a cadeia da soja para gerar mais valor na propriedade’, afirma diretor da Fazenda Horizontina

Por: Rogério Cabral

E começou! A Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27 ocorre nesta quinta-feira (17), em Ipiranga do Norte (MT). O dia será marcado por palestras, troca de informações e discussões sobre os desafios, oportunidades e perspectivas para o setor produtivo brasileiro.

Família Pozzobon mostra produção integrada

A programação teve início com a recepção da família Pozzobon, anfitriã do evento. Com décadas de trabalho no campo, a família apresentou sua trajetória e mostrou como a produção rural pode gerar valor por meio da diversificação, da inovação e da verticalização da cadeia produtiva.

Fernando Pozzobon, diretor de Negócios da Fazenda Horizontina, contou parte da história da família e falou sobre o trabalho desenvolvido na propriedade, que reúne soja, milho, algodão, pecuária, produção de etanol e geração de energia em uma cadeia integrada.

Segundo Fernando, a verticalização se tornou uma das principais estratégias da família para ampliar a geração de valor dentro da propriedade e fortalecer a atividade rural diante dos desafios enfrentados pelo produtor brasileiro.

“Hoje, a situação é a verticalização dentro da cadeia produtiva. Se cada um fizer sua parte, teremos as devidas respostas dos maiores interessados. Nós precisamos de previsibilidade, porque somos uma indústria a céu aberto. Precisamos de oportunidade, previsibilidade e políticas públicas para continuar fazendo o que sabemos fazer”, disse.

Fernando também destacou a importância de preservar o legado construído pelos pais e de manter a propriedade em constante transformação. Para ele, integrar diferentes atividades é uma forma de fortalecer a produção e criar novas oportunidades dentro da fazenda.

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Ipiranga do Norte: de estradas de chão à potência agrícola

Os participantes também conheceram um pouco da história de Ipiranga do Norte e da transformação vivida pelo município ao longo das últimas décadas. O local, que começou com estradas de chão, coragem e a disposição de quem decidiu recomeçar, cresceu junto com a expansão da agricultura no norte de Mato Grosso.

A soja se consolidou como uma das principais culturas da região e passou a ocupar um papel fundamental na economia local. A história do município se mistura com a evolução do agronegócio mato-grossense e com a trajetória de produtores que ajudaram a transformar a realidade da região.

Na sequência, o prefeito de Ipiranga do Norte, Juliano Berticelli, subiu ao palco e agradeceu a presença dos participantes. Ele destacou o esforço para levar um evento desse porte ao município e reforçou a importância de receber representantes de diferentes áreas do agronegócio.

“Ipiranga está de portas abertas”, disse o prefeito, ao destacar a satisfação do município em receber produtores, estudantes, autoridades e representantes da cadeia produtiva para a abertura de mais uma safra de soja.

O presidente do Sindicato Rural de Ipiranga do Norte, Eder Ferreira, também participou da abertura e agradeceu a presença dos jovens e estudantes de Agronomia. Ele destacou a importância de aproximar a nova geração do campo e criar oportunidades para quem está chegando ao setor.

15 anos do Soja Brasil

“A família Pozzobon está representando todos os agricultores do Brasil. Em ano de desafios climáticos, é necessário que os produtores tenham cada vez mais resiliência”, disse Julio.

Julio também lembrou a trajetória do Soja Brasil, que completa 15 anos acompanhando a cadeia produtiva da oleaginosa e aproximando informação, conhecimento e produtores de diferentes regiões do país.

“Essa semente plantada há 15 anos hoje é o maior evento. A gente conversa com o agro e com a sociedade, conta histórias de heróis, e hoje a família de vocês são os heróis”, disse.

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Spyer analisa dólar, juros e cenário global

Na sequência, o economista e influenciador financeiro Pablo Spyer, da XP, participou do debate sobre o cenário macroeconômico global e os impactos sobre o agronegócio brasileiro.

Durante sua apresentação, Spyer abordou temas como dólar, juros, poupança e o cenário econômico internacional. Ao explicar o papel dos juros na economia, o economista destacou a relação do indicador com o preço do dinheiro.

“Os juros nada mais são do que o preço do dinheiro. A nossa poupança”, explicou Spyer.

Segundo o economista, os juros influenciam diretamente as condições de crédito e as decisões de investimento, inclusive no setor produtivo. Para o produtor rural, o ambiente de juros interfere no acesso ao financiamento e na definição dos investimentos necessários para a condução da safra.

Spyer também falou sobre o dólar e os efeitos da variação da moeda americana sobre o agronegócio brasileiro. Como o setor possui forte ligação com o mercado internacional, o câmbio influencia a formação dos preços das commodities e também os custos de determinados insumos utilizados na produção.

“O dólar é muito importante para o agro brasileiro porque nós somos uma potência exportadora. Então, quando a gente fala de soja, milho, algodão e outras commodities, estamos falando de produtos que têm seus preços influenciados pelo mercado internacional”, afirmou.

O economista ainda comentou as perspectivas para a produção brasileira de soja e destacou a dimensão da nova safra. A temporada 2026/27 projeta uma produção superior a 180 milhões de toneladas, reforçando o peso do Brasil no mercado mundial da oleaginosa.

“A gente está falando de uma safra de mais de 180 milhões de toneladas. Isso mostra o tamanho do Brasil dentro do mercado mundial de soja e a responsabilidade que o produtor brasileiro tem”, disse Spyer.

A análise econômica ampliou o debate sobre os fatores que podem influenciar as decisões dos produtores ao longo da nova temporada. Além de dólar e juros, o cenário internacional, a demanda, os preços das commodities e as condições climáticas estão entre os pontos de atenção para o setor.

Programação e debates