Município consolida liderança na atividade agrícola por meio da substituição de variedades e atrai investimentos para o desenvolvimento da cadeia industrial na região paulista
Por Portal do Agronegócio
O engenheiro agrônomo formado pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Jaboticabal em 1973, José Manuel Magalhães de Almeida Fonseca, atua há mais de duas décadas como produtor de amendoim em Tupã, município apontado como o polo da cultura no Estado de São Paulo.
Após acumular experiência profissional em uma empresa multinacional do setor de promoção e desenvolvimento de defensivos agrícolas e passar pelo cultivo de melancia, mamão, soja, milho e mandioca, o especialista direcionou as atividades rurais para a produção das variedades IAC OL3, IAC 505, IAC 677 e BRS-423. A escolha da localidade baseia-se nas características da região e no histórico de rendimento das safras locais. “Tupã é a melhor para se produzir amendoim no Estado de São Paulo”, declarou.

A dinâmica de ocupação do solo diferencia o polo produtor de Tupã de outras regiões tradicionais paulistas que também apresentam histórico na cultura de cereais, mas enfrentam concorrência direta com a atividade sucroalcooleira. Em municípios como Jaboticabal e Sertãozinho, as áreas destinadas ao grão sofrem limitação geográfica devido ao cultivo da cana-de-açúcar, que ocupa as superfícies agrícolas disponíveis durante o período de entressafra do amendoim.
O cenário em Tupã, por outro lado, apresenta uma distribuição de espaço que favorece a diversificação de culturas sem a predominância absoluta do setor de biocombustíveis. “Aqui são 25% com rotação de cana e o restante pastagem, um pouco de soja e de mandioca”, detalhou.
A elevação nos custos de arrendamento e a escassez de terras disponíveis na região de Tupã motivam produtores locais a deslocarem investimentos para novas fronteiras agrícolas fora do território paulista. Esse fluxo migratório é direcionado para o Estado do Mato Grosso do Sul, atraído pelo menor preço dos imóveis rurais, embora os parâmetros de qualidade da produção nessas novas áreas ainda necessitem de consolidação técnica e monitoramento de longo prazo. A introdução da cultura nas áreas de pastagens sul-mato-grossenses gera benefícios agronômicos diretos para a pecuária local por meio da fixação de nutrientes que elevam a fertilidade da terra.
“Para MS está sendo um excelente negócio, porque quando devolve o amendoim para as pastagens, o solo fica mais nutritivo e amplia-se a produtividade bovina por área”, ponderou.
A variedade runner: a nova dinâmica da produção em Tupã

A modernização tecnológica e a substituição das variedades cultivadas alteraram o perfil econômico da atividade na região de Tupã ao longo das últimas duas décadas. A transição da variedade tatu, de crescimento ereto, para a variedade runner, de comportamento rasteiro, reduziu a participação do tipo tradicional a apenas 2% das lavouras atuais e elevou os índices gerais de produtividade no campo.
Para a continuidade desse desenvolvimento, a cadeia produtiva nacional busca referências operacionais em concorrentes externos, como as cidades argentinas de Rio Quarto, General Dehza e General Cabrera, focando na infraestrutura pós-colheita. “Acredito que o Brasil tem tudo para superar a Argentina, desde que haja investimentos onde estamos com problemas. Temos que melhorar muito na parte industrial, neste quesito a vizinha Argentina está mais estruturada”, salientou.
O potencial de rentabilidade do grão no período posterior à retirada do campo apresenta índices superiores aos observados em commodities agrícolas tradicionais, impulsionado pelas possibilidades de processamento industrial e diversificação de subprodutos. O investimento em infraestrutura de beneficiamento confere estabilidade financeira ao produtor e expande as margens de ganho em comparação com o cultivo de grãos voltados prioritariamente à exportação sem processamento. A agregação de valor na fase de pós-produção consolida a cultura como alternativa estratégica para o aproveitamento de áreas agrícolas no interior paulista. “O amendoim pode-se agregar muito mais valor no pós-produção do que a soja”, comunicou.