Olá, queridas leitoras,
Hoje gostaria de falar com vocês sobre sucessão familiar no meio rural brasileiro. Esse é um tema atual e que vem atravessando uma transformação histórica sem precedentes, deixando de ser um processo meramente burocrático de transferência de terras para se tornar uma transição estratégica de gestão.
Historicamente marcada por uma linhagem masculina e patriarcal, a continuidade das propriedades agora encontra na figura feminina o pilar de modernização necessário para enfrentar os desafios de um mercado globalizado e exigente.
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A entrada das mulheres no comando não apenas preserva o patrimônio construído por gerações, mas introduz uma cultura de governança profissional que equilibra o respeito à tradição com a urgência da inovação.
O fortalecimento da mulher à frente das propriedades rurais vem acontecendo gradativamente, e tem se destacado através de comunicação clara, ambiente de trabalho colaborativo e organização administrativa e financeira. Diferente de gerações passadas, a nova sucessora chega à porteira, por exemplo, com diplomas em agronomia, veterinária, economia ou administração de empresas.
Esse olhar técnico, aliado à capacidade natural de mediação — essencial para lidar com as complexas dinâmicas emocionais de uma empresa familiar —, permite que a transição ocorra de forma menos disruptiva. Elas estão transformando o “negócio do pai” em empresas rurais de alta performance, onde a tomada de decisão é baseada em indicadores, e não apenas na intuição.
Um dos maiores diferenciais da liderança feminina na sucessão é a abertura para a digitalização e a sustentabilidade. Elas têm colaborado para revolucionar a produção no campo, adotando tecnologias de precisão, softwares de gestão e práticas ESG (Ambiental, Social e Governança), entendendo que a longevidade da fazenda depende diretamente da saúde do ecossistema e da transparência operacional.
Essa abordagem moderna atrai novos investimentos, abre portas para mercados internacionais mais exigentes e garante que o legado familiar seja sinônimo de rentabilidade aliada à responsabilidade socioambiental. Elas compreendem que produzir com eficiência em 2026 exige um compromisso com o futuro do planeta.
É confiando nesse potencial, resiliência e capacidade empreendedora que a Comissão Semeadoras do Agro da Faesp vem trabalhando em prol de maior visibilidade às mulheres que trabalham no campo, apoiando sua autonomia, conhecimento, acesso ao crédito e a políticas pública equitativas e de inclusão social.
Com carinho, Juliana Farah, presidente da Comissão Semeadoras do Agro da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)