Olá, queridas leitoras,
Hoje, na primeira semana de março, o mês no calendário internacional para homenagear as mulheres, eu gostaria de falar com vocês apenas sobre celebração, mas, infelizmente, não podemos deixar que o brilho das comemorações ofusque uma realidade que é brutal e que ainda nos assombra: o feminicídio. Essa palavra que tem “disputado” as manchetes dos grandes portais com assuntos como política ou guerras.
É contraditório, e até doloroso, falar de homenagem às mulheres quando os números nos revelam um cenário de guerra doméstica. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, somente no ano passado, 1.568 mulheres foram mortas no Brasil pelo simples fato de serem… mulheres.
Desde a tipificação do crime, em 2015, já perdemos 13.703 vidas. Para se ter uma ideia da dimensão desse vazio, é como se a população inteira de Ipaussu, na região sudoeste do estado de São Paulo, tivesse sido apagada do mapa, segundo o Censo Demográfico de 2022, do IBGE.
E essa violência não começa no ato fatal. Ela se esconde nos detalhes, que a Lei Maria da Penha tão bem descreve: mensagens ameaçadoras, perseguição, intimidação, isolamento de amigos e familiares, ofensas que minam a alma feminina. Na cidade ou no campo, o padrão de controle que ex-companheiros adotam, não aceitando o fim de um relacionamento, é um sintoma de uma sociedade que ainda nos quer invisível e que enxerga a mulher não como um sujeito de direitos, mas como um objeto de posse.
Talvez o mais amargo nisso tudo resida justamente no fato de que o empoderamento feminino (celebrado neste mês) é visto por agressores como uma ameaça à sua “autoridade”, resultando em tentativas extremas de silenciamento.
É por isso que ações afirmativas são tão necessárias e porque ainda, em pleno século 21, com todo o avanço tecnológico, ainda precisamos de um mês dedicado às mulheres. Quando a Comissão Semeadoras do Agro da Faesp fomenta a capacitação, o empreendedorismo e o fortalecimento feminino, não estamos apenas falando de profissionalização e negócios, mas estamos construindo uma rede de proteção, onde a mulher possa reconhecer a sua voz e tornar-se mais difícil de ser calada.
Não podemos mais aceitar que Tainaras, Alanas, Evelyns, Priscilas e tantas outras vítimas se tornem estatísticas. O combate à violência contra a mulher não cabe discussão, cabe ação.
Neste março, convido vocês a uma reflexão: que a nossa celebração seja também um manifesto. Que cada homenagem se converta em vigilância e cada gesto em apoio mútuo. Que possamos dar as mãos umas às outras e que o nosso gênero seja motivo de orgulho e não fator de risco, para construirmos uma sociedade onde possamos, simplesmente, exercer o direito básico de viver em paz.
Com carinho, Juliana Farah, presidente da Comissão Semeadoras do Agro da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)