Olá, queridas leitoras,
Como vocês sabem, quando os portões da Agrishow se abrem, o que se vê e se percebe nos seus mais de 500 mil m² é a pujança do agronegócio latino-americano materializada em hectares de tecnologia, maquinário pesado e inovação digital. A cada ano, a feira quebra recordes de área, expositores e volume de negócios.
No entanto, a transformação mais profunda que se testemunha recentemente não é medida em toneladas de colheita ou máquinas e drones modernos e inteligentes, mas na mudança de quem está ao volante: a presença cada vez mais expressiva e decisiva das mulheres.
Durante muito tempo, o cenário das grandes feiras agropecuárias foi predominantemente masculino. A participação feminina, quando ocorria, era frequentemente relegada aos bastidores ou ao papel de acompanhante.
Hoje, a realidade que se desenha nos corredores da Agrishow é diferente e inspiradora. As mulheres não estão ali apenas visitando; elas estão liderando. Elas são produtoras rurais que vão à feira para negociar frotas de tratores e fechar contratos milionários. São as engenheiras agrônomas que apresentam as mais recentes soluções em biotecnologia.
Essa transição de espectadoras para protagonistas não é um mero acaso ou uma concessão social; é o reflexo direto da competência, da especialização e da visão estratégica que as mulheres trouxeram para a gestão rural. Estudos mostram que propriedades geridas por mulheres ou com forte participação feminina na tomada de decisão tendem a investir mais em tecnologias sustentáveis e em diversificação de culturas.

Na Agrishow, essa nova era é palpável. O aumento de painéis, fóruns e estandes voltados para — e comandados por — mulheres prova que o mercado já reconheceu que a diversidade não é apenas uma pauta social, mas um imperativo econômico.
Ainda há desafios, como a quebra de preconceitos históricos e a facilitação do acesso ao crédito para pequenas e médias produtoras. Porém, a semente já germinou e tem raízes fortes. A participação crescente das mulheres na Agrishow é o espelho de uma revolução silenciosa, mas extremamente fértil, que acontece todos os dias nas fazendas do Brasil.
O futuro do agronegócio é tecnológico, é sustentável e, inegavelmente, tem voz e rosto de mulher, por isso a Comissão Semeadoras do Agro existe e por isso apoiamos cada vez mais o protagonismo feminino no campo.
Com carinho, Juliana Farah, presidente da Comissão Semeadoras do Agro da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)