Olá, queridas leitoras,
Hoje gostaria de falar com vocês sobre uma das minhas maiores admirações: o artesanato. O ofício e o resultado dele representam saberes tradicionais e locais. Cerâmica, bordados, arte em madeira, dentre outros, trazem mais do que um produto finalizado, representam uma arte em si mesmo e conta muitas histórias.
A trajetória das mulheres no campo historicamente esteve atrelada a uma dupla jornada invisibilizada, onde o trabalho doméstico e o auxílio na produção agrícola eram vistos como extensões do cuidado familiar, sem o devido reconhecimento econômico ou social.
No entanto, o artesanato tem emergido como uma ferramenta potente de ruptura desse ciclo, consolidando-se não apenas como uma alternativa de geração de renda, mas como um pilar de protagonismo e reafirmação de identidade. Ao transformar matérias-primas locais em produtos de valor agregado, essas mulheres transcendem a barreira da subsistência e passam a ocupar espaços de liderança e decisão dentro de suas comunidades.
A relevância econômica do artesanato rural reside na sua capacidade de conferir independência financeira sem exigir o afastamento do território ou o abandono das raízes culturais. A geração de renda impacta positivamente a dinâmica familiar, permitindo investimentos na educação dos filhos e na melhoria das condições habitacionais.
Para vocês terem uma ideia da potencialidade do artesanato, essa é uma atividade presente em 78,6% dos municípios brasileiros, segundo a Pesquisa de Informações Básicas Municipais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, o setor representa 3% do PIB nacional, e movimenta cerca de R$ 50 bilhões por ano.
Onde quer que cada brasileiro vá, de Norte a Sul do país, encontrará sempre o artesanato. Mais do que independência financeira ele também é uma ferramenta cultural, onde cada um do nós reconhece a arte produzida pelas mãos do nosso povo.
Ao unir o saber fazer tradicional às demandas do mercado contemporâneo, as artesãs redesenham a paisagem social do interior, provando que a agulha, o barro e a palha são instrumentos de transformação tão fortes quanto as ferramentas de cultivo.
A Comissão Semeadoras do Agro da Faesp trabalha incansavelmente para tirar a mulher da invisibilidade, promover sua autonomia financeira através do empreendedorismo e, junto ao Senar-SP, incentivar produtoras rurais a fazerem os diversos cursos de artesanato. Valorizar a cultura do nosso estado é valorizar nossas raízes e nossa história.
Com carinho, Juliana Farah, presidente da Comissão Semeadoras do Agro da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)