Maior oferta da 3ª safra derruba preços do feijão carioca

Por: Rogério Cabral

A entrada da 3ª safra mantém elevada a oferta de feijão carioca e pressiona os preços no campo, segundo o Indicador de Preços Cepea/CNA no período de 9 a 16 de julho. No varejo, os valores ainda refletem os reajustes acumulados ao longo da 1ª e da 2ª safras. Já o feijão preto segue com mercado mais firme, sustentado pela menor produção e pelo fim da 2ª safra.

No feijão carioca peneira 12 ou nota 9,0, o avanço da colheita da 3ª safra ampliou a disponibilidade de lotes de melhor qualidade e reduziu o interesse dos compradores, diante da expectativa de entrada contínua de novos volumes. Ao mesmo tempo, as margens ainda favoráveis estimularam a venda dos estoques disponíveis pelos produtores, intensificando a pressão sobre as cotações.

Todas as regiões acompanhadas registraram queda nos preços desse padrão de grão. Os maiores recuos ocorreram no Centro-Noroeste Goiano e no Noroeste de Minas, próximos de 10%. No Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, a baixa foi de 6,38%.

Nos lotes intermediários, de notas 8,0 e 8,5, a desvalorização do feijão de maior qualidade reduziu a competitividade e ampliou a pressão sobre os preços na maior parte das regiões. A exceção foi Belo Horizonte (MG), onde houve alta de 0,95%, sustentada pela absorção de lotes nota 8,5 pela indústria. Na metade sul do Paraná, a queda chegou a 11,02%. Em Sorriso (MT), os preços recuaram 0,82%.

No feijão preto tipo 1, o mercado permaneceu firme, sustentado pela menor oferta nacional e pelo encerramento da 2ª safra no Paraná. A colheita no estado atingiu 99% da área até 13 de julho. Com a disponibilidade reduzida, produtores seguem retendo lotes de melhor qualidade. Na semana, o Oeste Catarinense registrou alta de 3,39% e a metade sul do Paraná, de 0,78%. Em Curitiba (PR), porém, houve recuo de 1,65%, com demanda moderada e estoques abastecidos.

O relatório de julho da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reforçou esse quadro ao reduzir em 7,3% a estimativa da produção de feijão preto em relação ao levantamento anterior. Para a safra 2025/26, a produção foi estimada em 469,5 mil toneladas, volume 42,1% inferior ao da temporada passada, em razão da redução da área cultivada e das perdas climáticas no Paraná.

Segundo o Cepea/CNA, o avanço da colheita da 3ª safra deve manter a pressão sobre os preços do feijão carioca, enquanto o mercado de feijão preto segue sustentado pela menor disponibilidade do grão.

Fonte: cnabrasil.org.br