França bloqueia importação de frutas produzidas nos países do Mercosul

Por: Rogério Cabral

Frutas com resíduos de contenha resíduos de mancozeb, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim serão bloqueadas na Europa, anunciou o primeiro ministro da França

O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu anunciou neste domingo (4) que o país bloqueará as importações de frutas produzidas nos países do Mercosul que contenham resíduos de defensivos químicos que já são proibidos na Europa, como os ativos mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim. O anúncio foi feito pelas redes sociais e deve ser oficializado nos próximos dias.

Dentre os principais produtos afetados, estão frutas como abacate, manga, goiaba, frutas cítricas, uva e maçã. Na publicação, Lecornu reforçou que a França vai verificar todas as cargas recebidas no país para certificar o cumprimento da medida fitossanitária. Após o anúncio, ele ainda publicou uma ‘carta aberta aos agricultores franceses’ reforçando que o país irá “reforçar a proteção às importações” e que a iniciativa representa um passo inicial para resguardar as cadeias produtivas do país e os consumidores franceses, além de enfrentar o que chamou de práticas desiguais no comércio internacional.

O anúncio ocorreu em meio à assinatura do Acordo Comercial Mercosul-União Europeia, que deve ser assinado nos próximos dias. O tratado enfrenta uma forte resistência da França, sob alegação de proteção do setor agrícola local.

Ativos proibidos
Mancozebe é um fungicida de amplo espectro, pertencente ao grupo químico dos ditiocarbamatos, usado na agricultura para controlar diversas doenças fúngicas (como ferrugens, oídios, míldios) em muitas culturas (batata, café, soja, frutas, hortaliças) por sua ação multissítio, sendo eficaz no manejo da resistência, mas requerendo cuidado na aplicação devido a restrições toxicológicas e ambientais.

O glufosinato é um herbicida de contato não seletivo, do grupo das homoalaninas substituídas, usado para controlar plantas daninhas por inibir a enzima glutamina sintetase, causando acúmulo de amônia e morte celular, sendo eficaz onde atinge a planta e ideal para culturas tolerantes (como milho, soja e algodão GM) ou para dessecação antes do plantio, com ação rápida e visualmente evidente.

O tiofanato-metílico também é um fungicidaé um fungicida sistêmico amplamente usado na agricultura, pertencente ao grupo químico dos benzimidazóis, eficaz no controle de diversas doenças fúngicas como mofo-branco, antracnose e oídio, agindo por inibição da divisão celular (mitose) nos fungos, oferecendo proteção tanto preventiva quanto curativa e sendo aplicado via pulverização foliar ou tratamento de sementes em culturas como soja, milho, algodão e frutas.

O carbendazim é outro fungicida sistêmico de amplo espectro, da classe dos benzimidazóis, usado na agricultura para controlar doenças fúngicas em diversas culturas (soja, milho, citros, feijão, etc.) e tratamento de sementes, agindo ao inibir a divisão celular dos fungos. No entanto, sua comercialização e uso já são proibidos no Brasil.

Fonte: AGROBAND