Lideranças rurais do estado destacam o planejamento estratégico e a ampliação de tecnologias como pilares da segurança alimentar nas pequenas e médias propriedades
Por Portal do Agronegócio
A trajetória de 86 anos de fundação da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e sua contribuição para a transformação tecnológica do setor produtivo pautaram os debates promovidos nos dias 21 e 22 de julho em Campinas pela diretoria e dirigentes regionais. O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, ressaltou que a principal missão da entidade ao longo das últimas décadas tem sido garantir a permanência da família no meio rural, evoluindo de um cenário histórico de importação para um modelo de alta produtividade.
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Para assegurar essa sustentabilidade nas pequenas e médias propriedades, o dirigente defendeu a expansão dos centros de excelência e a difusão de inovações no interior paulista. “Essa transformação que ocorreu com a tecnologia, por isso que nós estamos fazendo os centros de excelência, para levar toda essa tecnologia para o pequeno e médio produtor, para que ele possa ter a possibilidade de ter uma produtividade boa e manter na atividade”, expressou o presidente Meirelles.
A descentralização das reivindicações do agronegócio e a consulta permanente às bases regionais fortalecem a representatividade da instituição paulista no cenário nacional. O presidente do Sindicato Rural de Tupã e diretor-secretário da entidade estadual, Márcio Antônio Vassoler, salientou que as conquistas obtidas para a infraestrutura das propriedades decorrem do fluxo constante de diálogo mantido entre as lideranças municipais e a presidência da federação.

Em consonância com essa integração, novos dirigentes recém-empossados no Interior destacaram a relevância do alinhamento institucional para consolidar os serviços aos trabalhadores. “Primeiro, um evento como esse aqui é um momento muito oportuno até para a gente falar da importância que tem, não só o evento, mas todo o nosso sistema, eu na qualidade de produtor rural, na organização do sindicato local, isso junto à federação, junto ao sistema e junto à confederação”, comentou o presidente do Sindicato Rural de Caconde, Ademar Pereira, reconhecido como o gestor mais jovem a assumir uma entidade na rede estadual.

A preservação da memória e a necessidade de renovação nos quadros diretivos foram defendidas por lideranças históricas que acompanharam a estruturação do sindicalismo no Interior de São Paulo. O presidente do Sindicato Rural de Cafelândia, Argemiro Leite Filho, decano entre os dirigentes paulistas por estar à frente da entidade desde 1992, relembrou a construção da sede própria e a parceria com a diretoria da federação para a expansão dos centros de excelência técnica.
O líder rural lembrou da importância do legado de modernização deixado pelas gestões passadas para fortalecer os pequenos produtores locais. “Quando assumi o Sindicato Rural de Cafelândia, construí nossa sede com recursos próprios da contribuição e fiz questão de convidar o Dr. Fábio Meirelles para a inauguração. Levei o convite em mãos e, no evento, organizei a programação com firmeza, orientando-o a discursar de forma breve para poupar o público que estava em pé na rua. Ele admirou a minha postura direta e a capacidade de direcioná-lo com respeito, o que me rendeu seu reconhecimento imediato. Um mês depois, ele me convidou para ser diretor da Faesp em São Paulo, cargo que ocupei com orgulho por oito anos”, relembrou o presidente Argemiro Leite Filho.

A evolução da agricultura paulista
A transformação de São Paulo de polo consumidor e importador em um dos maiores exportadores de alimentos do cenário global sintetiza a trajetória de 86 anos de fundação da federação paulista. A qualificação técnica das equipes e o suporte às demandas do mercado interno e externo asseguram a preservação ambiental associada ao incremento da produtividade agrícola nos municípios do interior. O acompanhamento rigoroso da legislação e a defesa do meio ambiente permanecem na pauta central dos serviços prestados aos produtores.
“De um país importador de alimento, se tornou um dos maiores exportadores de alimento do mundo, isso reflete na atuação das presidências que tiveram, Dr Fábio, Dr Tirso, de estar sempre antenado às lideranças, então, estar sempre olhando o mercado, olhando as demandas dos produtores, dos trabalhadores”, opinou o gerente técnico do Senar-SP, Jair Kaczinski.

O legado de uma Federação

A celebração dos 86 anos de trajetória da instituição ganhou um tom de emoção e reverência familiar ao resgatar as origens da liderança que hoje comanda o agronegócio paulista. Ao rememorar o legado de seu pai, o histórico líder ruralista Fábio Meirelles — que presidiu a entidade por décadas —, e os ensinamentos práticos de sua mãe no cotidiano da roça, Tirso Meirelles sacramentou que amor pela terra e pelo produtor rural é uma herança de sangue que guia sua gestão frente à federação.
Para o dirigente, a missão de conduzir a entidade representa a continuidade do trabalho de uma vida dedicada a conferir dignidade, transparência e sustentabilidade às famílias do campo em cada município do Estado.
“Meus pais são tudo, são a essência da minha vida. Eu tive o prazer de conviver com o doutor Fábio e a mamãe, a mamãe que me ensinou muito da agricultura, quando pequeno, e depois aprendi muito com o papai; o meu sonho sempre foi acompanhar um grande líder e hoje busco fazer o melhor para fortalecer nossas lideranças”, finalizou Meirelles.
Fotos: Portal do Agronegócio