A história da entidade é marcada por força, união e a consolidação do agro paulista como um dos protagonistas da economia brasileira
A pujança econômica do estado de São Paulo confunde-se, historicamente, com a força de sua produção rural. A transformação de lavouras e pastagens em um dos complexos agroindustriais mais modernos do planeta exigiu visão estratégica, perseverança e capacidade de organização coletiva, tendo no centro dessa engrenagem a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp).
Nascida para dar voz unificada ao campo, a entidade estruturou uma rede de defesa e qualificação de base apoiada por sindicatos rurais históricos — como Barretos, Franca e Mogi Mirim —, consolidando um modelo associativo que hoje responde por fatias expressivas do PIB e do saldo comercial paulista.
As raízes desse movimento remontam ao início da década de 1940, quando produtores visionários perceberam a necessidade de unificar associações municipais até então isoladas diante do avanço da industrialização do pós-guerra. Articulada por nomes como o Dr. Paulo da Silva Prado e Ítalo Zappa, essa mobilização inicial percorreu o interior para demonstrar que gargalos de crédito, logística e comercialização só seriam superados com uma estrutura centralizada. Em 1946, após seis anos de trabalho, o movimento resultou na fundação da Federação das Associações Rurais do Estado de São Paulo (Faresp).
Considerado o grande idealizador do sistema representativo bandeirante, Íris Meinberg assumiu como primeiro presidente da Faresp. Vindo da pecuária de Barretos e com sólida formação jurídica, Meinberg projetou as demandas paulistas em âmbito nacional e chegou a presidir a Confederação Rural Brasileira (atual CNA). Seu trabalho unificou a classe em um período de isolamento político do setor rural e deixou as bases institucionais necessárias para a modernização da agropecuária de São Paulo.
A semente plantada pela Faresp pavimentou o caminho para que, com o novo enquadramento sindical dos anos 1960, a entidade se transformasse oficialmente na Faesp, blindando a produção de alimentos contra crises de mercado. Nesse período de transição, em 1968, o jornal O Estado de S. Paulo já destacava relatório do Dr. Fábio de Salles Meirelles apontando a necessidade de multiplicar por dez a produção de alimentos no país. Sete anos depois, Meirelles seria eleito presidente da federação com a missão de desenvolver e modernizar o setor.
Como principal arquiteto dessa união de classes, Fábio de Salles Meirelles assumiu a liderança da Faesp nos anos 1970 e a transformou em um polo de interlocução política de peso nacional. Representando a CNA e a Faesp, atuou decisivamente na Assembleia Constituinte de 1987, garantindo a previsão constitucional para a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) sob a gestão do empresariado rural na Carta Magna de 1988.
Mais tarde, em 1991, Meirelles tomou posse como deputado federal, atuando como vice-presidente da Comissão Permanente de Agricultura e Política Rural, além de integrar comissões de Defesa Nacional, Minas e Energia e as CPIs da Violência no Campo e da Conab em 1992. Sua atuação parlamentar reforçou o compromisso da entidade com as pautas estruturantes do agronegócio e a segurança jurídica do produtor rural no cenário legislativo nacional.
A estratégia central dessa liderança baseou-se no princípio de “descentralizar para fortalecer”. Ao percorrer o interior e dialogar com produtores de todos os portes, a federação unificou o discurso sobre desafios comuns em logística, crédito e defesa sanitária, consolidando o município e os sindicatos rurais como a verdadeira base do sistema representativo.
Essa governança municipal consolidou o Sistema Faesp, posteriormente fortalecido com a atuação do Senar. Ao levar qualificação técnica de excelência ao trabalhador do campo, a instituição provou que a efetiva defesa de classe se faz aliando a representação política à elevação do padrão tecnológico e da eficiência produtiva em cada hectare do solo paulista.