El Niño aumenta incertezas sobre safra 2026/27 e impulsiona preços da soja em setembro

Por: Rogério Cabral

As incertezas sobre os impactos do El Niño na safra 2026/27 estão entre os principais fatores que sustentam a valorização da soja neste início de setembro. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o movimento de alta, já observado em agosto, ganhou força nos primeiros dias deste mês.

Além das preocupações climáticas, os preços encontram suporte na maior demanda asiática pela soja dos Estados Unidos e na intensificação dos conflitos no Oriente Médio.

No Brasil, as atenções se voltam especialmente para as condições climáticas necessárias para o avanço da nova temporada.

A possibilidade de impactos do El Niño aumenta as incertezas em torno do desenvolvimento da safra 2026/27. Ao mesmo tempo, produtores brasileiros aguardam volumes mais significativos de chuva para iniciar as atividades de campo.

De acordo com o Cepea, esse cenário tem afastado vendedores das negociações envolvendo grandes volumes de soja, contribuindo para dar sustentação às cotações no mercado doméstico.

A evolução das condições climáticas, portanto, passa a ter peso importante sobre o comportamento dos produtores e do mercado à medida que os trabalhos da nova temporada se aproximam.

Demanda externa limita avanço dos preços

Apesar do cenário de valorização, o Cepea aponta que a alta no mercado brasileiro foi limitada pela redução da demanda internacional pela soja nacional.

O movimento é considerado comum neste período do ano, quando o mercado se aproxima da entrada da safra dos Estados Unidos e compradores passam a direcionar maior atenção para a oferta norte-americana.

Ainda assim, as exportações brasileiras acumulam desempenho recorde em 2026. Entre janeiro e agosto, o país embarcou 89,86 milhões de toneladas de soja em grão, o maior volume já registrado para o período.