Economia brasileira cresce no início de 2026, mas inflação e endividamento seguem como desafios

Por: Rogério Cabral

PIB avança 1,1% no primeiro trimestre, enquanto inflação acima da meta e dívida pública em alta mantêm cenário de cautela

A economia brasileira cresceu no início de 2026, embora em ritmo moderado. No primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) alcançou R$ 3,25 trilhões, com avanço de 1,1% em relação ao trimestre anterior e de 1,8% frente ao mesmo período de 2025.

Pelo lado da oferta, todos os setores da economia registraram expansão. Os serviços lideraram o crescimento na comparação interanual, com alta de 2,1%. Já na variação trimestral, a agropecuária apresentou o melhor desempenho, ao crescer 2,0%. Pela ótica da demanda, a atividade foi sustentada principalmente pelo consumo das famílias e pelo setor externo.

O mercado de trabalho segue aquecido, com taxa de desocupação de 5,8% no trimestre encerrado em abril, abaixo da registrada um ano antes. O rendimento real habitual atingiu R$ 3.732, alta de 5,4% na comparação interanual.

Apesar dos indicadores favoráveis de atividade e emprego, a inflação continua sendo motivo de atenção. Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 4,72% em 12 meses, ultrapassando novamente o teto da meta. No mês, a pressão inflacionária concentrou-se principalmente na alimentação no domicílio, com destaque para produtos como batata, tomate e cebola.

Na política monetária, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano em junho, mas manteve um discurso cauteloso diante da persistência da inflação e das incertezas quanto ao seu comportamento nos próximos meses.

Outro ponto de atenção é o endividamento das famílias e a dívida pública. Em março, o endividamento atingiu 49,8% da renda acumulada nos últimos 12 meses. Em abril, a dívida pública alcançou 80,2% do PIB, reforçando os desafios para a sustentabilidade das contas públicas.

No mercado cambial, a valorização do real verificada no início de maio perdeu força. Em meados de junho, o dólar voltou a oscilar em torno de R$ 5,20, refletindo as instabilidades do cenário econômico doméstico e internacional. Esses e outros indicadores estão reunidos no relatório “Radar Macroeconômico” elaborado pelo Departamento Econômico da Faesp. Clique na imagem abaixo para acessar o relatório completo.