Dia de Campo reúne 150 participantes e amplia articulação pela cafeicultura no DF

Por: Rogério Cabral

A consolidação da cafeicultura no Distrito Federal foi o foco de um Dia de Campo realizado na última sexta-feira (8), em Planaltina, com a participação de cerca de 150 pessoas. Promovido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Café (Embrapa Café), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Cerrados (Embrapa Cerrados) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), o encontro discutiu limitações da cadeia produtiva e alternativas técnicas para ampliar a produção local.

A base do debate foi o Diagnóstico da Cadeia Produtiva do Café no Distrito Federal, elaborado entre outubro de 2024 e março de 2025. O levantamento ouviu 134 cafeicultores e identificou entraves como falta de mão de obra, dificuldades no controle de pragas e doenças e custo elevado de insumos e do processamento dos grãos.

Segundo Adriana Nascimento, coordenadora de Operações da Emater-DF, o evento foi estruturado a partir desses resultados. Já o secretário de Agricultura do Distrito Federal, Rafael Bueno, afirmou que o setor busca um modelo mais voltado aos cafés especiais, segmento de maior valor agregado, em substituição ao perfil tradicional de produção em larga escala.

No encontro, o governo local também informou que pretende lançar um selo de identidade regional para produtos agropecuários do DF, incluindo o café. Bueno citou ainda instrumentos de apoio, como o Pró-Rural e o Fundo Distrital de Desenvolvimento Rural, que podem oferecer redução de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), isenção de taxas e crédito com juros reduzidos.

As quatro estações técnicas do Dia de Campo trataram de sistema de produção no Cerrado Central, manejo nutricional, irrigação, cultivares, controle de pragas e doenças, além de alternativas de diversificação, como café conilon/robusta e consórcio entre café e baru.

Para Rodolfo Oliveira, chefe-geral da Embrapa Café, a aproximação entre pesquisa, assistência técnica e produtores é necessária para levar ao campo soluções em manejo, variedades, sistemas produtivos e qualidade. Jorge Werneck, chefe-geral da Embrapa Cerrados, destacou a experiência da unidade no desenvolvimento de tecnologias para café irrigado no Cerrado.

Entre as próximas ações previstas está a criação, ainda neste ano, de uma Unidade Demonstrativa de tecnologias para o café no DF, voltada aos pequenos produtores, além da capacitação de extensionistas da Emater-DF em parceria com a Embrapa Cerrados e a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). A expectativa das instituições é ampliar a base técnica da atividade e melhorar as condições de produção e comercialização no Distrito Federal.

Fonte: embrapa.br