De US$ 600 bi para US$ 1 tri no agro, já pensaram nisso candidatos à Presidência?

Por: José Luiz Tejon

*José Luiz Tejon

Quando as campanhas para a eleição tomam marcha somos obrigados a trazer a máxima de Sartre que disse: “o inferno são os outros”. Desta forma candidatos tirando o demônio infernal “do outro”, o que de verdade existe no seu plano como executivo do maior agro exportador do mundo para sairmos dos atuais cerca de US$ 600 bilhões no montante do antes, dentro e pós-porteira das fazendas, como o Cepea mensura, para um objetivo potencial de negócios chegando no patamar de US$ 1 trilhão e daí para mais?

Planos sem métricas mensuráveis e quantificáveis são planos “natimortos”. Uma exigência sobre qualquer executivo numa corporação, numa entidade sem fins lucrativos, num clube, ou no setor público, como presidente de um país, é ter metas audaciosas, espetaculares e sustentáveis (MAES). Quer dizer com caminhos reais e concretos para sua execução, engajamento e micro planejamento das operações.

Por que precisamos de MAES? Para fugir do menos, pois significam o rumo, o horizonte, a inspiração que nos motiva para a superação. Números medíocres nos acostumam a acomodação, e nos transmitem um discurso polarizante, com um estado vitimização de viver, onde sempre existe o culpado que é o outro. (Jean Paul Sartre).

Chegamos nestes últimos 40 anos ao resultado de 25% do PIB do país no sistema do agronegócio, na soma da agropecuária, indústria, comércio e serviços mensurados no princípio “input x output” das cadeias de valor.

E agora senhoras e senhores candidatos? Sem um planejamento estratégico de estado, na convergência do público com o privado, não faremos mais o que fizemos na raça, com heroínas, heróis, pioneiras e pioneiros até aqui no Brasil. O sangue, suor e lágrimas nos moveu. Daqui pra frente serão os neurônios, os nervos, o coração e a cooperação. Portanto, estaremos aqui convocando todos os candidatos à presidência da república que desenhem um planejamento estratégico, com números, metas, investimentos e abordagens geo agro orientadas do Brasil com o planeta terra.

Das 20 maiores cadeias produtivas atuais do agro nacional o quanto iremos crescer também em agroindustrialização?

Das 20 maiores cadeias produtivas do país o quanto iremos negociar e tratar com clientes e mercados onde ainda somos frágeis?

De outras 20 potenciais cadeias produtivas tropicais nacionais onde ainda não as vimos florescer quais serão alvo de estruturação e apoio ao crescimento?

Como organizaremos ações conjuntas público privadas com governança para a execução desses planos?

Como em 4 anos faremos o que falamos nos últimos 40 anos e não resolvemos colocando nosso agro em risco permanente: fertilizantes, irrigação, seguro, segurança genética, proteção jurídica aos agricultores, crédito sustentável, logística e comunicação com as sociedades consumidoras do Brasil? E o que faremos que o futuro já sabe e que precisamos trazer ao valor presente: a tecnologia do invisível!

Programas de agricultura familiar com cooperativismo gerando diversos IG’s indicações geográficas, denominações de origem, levando os “terroir” agrotropicais amazônicos do Brasil para as mesas e fast food do mundo.

E um plano estruturado para fazer da marca “Amazônia” o maior símbolo de respeito e amor do país com o mundo inteiro. Sem essa marca Amazônia não iremos obter reputação e credibilidade da Marca Brasil.

Estes pontos acima exigem serem esmiuçados e colocados como dever e responsabilidade do novo presidente da República. Fazer 40 anos em 4. E como “sub produto” deste planejamento iremos impactar, além do PIB do agro, o PIB brasileiro com certeza o elevando para próximo da casa dos US$ 4 trilhões no total. O Brasil merece.

Porém será impossível fazer isso com polarizações, divisões, uma guerra de uns contra os outros. O prof. dr. Ray Goldberg, criador do conceito de agribusiness nos anos 50, me disse numa de suas últimas entrevistas: “mensagem que deixo para os líderes, parem de dividir o mundo, o agronegócio não tolera divisões é feito de reunião de todos os seus elos, e quem pode reunir o mundo é o alimento com cidadania e compromisso com a saúde em todos os sentidos“.

Os outros, numa visão de mundo, podem ser o inferno, porém em outra forma de ver o mundo pode ser a cooperação que cria prosperidade para todos. É possível. Depende de quem e como lidera, o gestor, o líder estadista. Que a sociedade civil organizada entre no jogo.

*José Luiz Tejon é doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai, mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie, jornalista e publicitário, com especializações em Harvard, MIT e PACE/USA e Insead na França. Colunista de várias rádios do Brasil, TVs, jornais, revistas, mídias sociais, autor e coautor de 37 livros. Coordenador acadêmico de Master Science Food & Agribusiness Management pela Audencia em Nantes/França e FECAP/Brasil. Sócio Diretor da Biomarketing e da TCA International. Vice-presidente da Fundação Brasileira de Marketing (FBM) e da ADVB – Fundação Brasileira de Marketing e Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil. Profissional Head Agro Anefac. Prêmio Personalidade Agro ABAG 2023. Ex-diretor do Grupo Estadão, da Agroceres e da Jacto S/A.