Olá, queridas leitoras,
Muito tem se falado sobre a economia rural. Sabemos mais do que ninguém que o agronegócio brasileiro é reconhecido pela capacidade de produzir em escala. Mas, diante de custos elevados, juros altos, oscilações climáticas e um mercado cada vez mais competitivo, precisamos indagar: quanto valor ainda podemos gerar depois da porteira?
Produzir bem continua sendo fundamental. Mas transformar parte dessa produção, criar uma identidade para o produto, desenvolver uma marca, melhorar sua apresentação e encontrar novos canais de comercialização representam uma diferença importante na renda de quem vive do campo.
É nesse espaço que muitas mulheres do campo vêm encontrando oportunidades. A produção de leite que se transforma em queijo, a fruta que vira geleia ou compota, o café que passa a ter identidade própria e os alimentos processados artesanalmente mostram que agregar valor não significa produzir mais. Significa, muitas vezes, fazer mais com aquilo que já se produz.
Essa mudança de olhar contribui para reduzir desperdícios e aproximar quem produz de quem consome. Quando uma produtora conhece seu mercado, entende suas necessidades e consegue apresentar melhor o que produz, ela deixa de disputar apenas pelo preço da matéria-prima e passa a competir por qualidade, origem, confiança e diferenciação.
É justamente nesse processo de transformação que iniciativas como a Comissão Semeadoras do Agro da Faesp encontram seu propósito. Ao promover capacitação, estimular o empreendedorismo, fortalecer lideranças e ampliar o acesso das mulheres a conhecimento e novas oportunidades, a Comissão contribui para que elas não sejam apenas parte da cadeia produtiva, mas também ocupem espaços de decisão e criação de valor.
Esse movimento já produz reflexos no agro paulista. Cada mulher que amplia sua capacidade de gestão, transforma um produto, estrutura um pequeno negócio, melhora sua comercialização ou passa a participar mais ativamente das decisões da propriedade ajuda a construir um campo mais diversificado, preparado e dinâmico.
É claro que transformar produção em negócio exige conhecimento. É preciso entender custos, legislação, embalagem, comunicação, comercialização e gestão. Por isso, capacitação e assistência técnica são tão importantes quanto a disposição para empreender.
Esta, portanto, tem sido a missão das Semeadoras: contribuir para que as mulheres se capacitem e empreendam, ampliando sua participação no agronegócio e transformando não apenas a economia familiar, mas de toda sua região. É também assim, de mulher em mulher, de propriedade em propriedade, que se semeia a transformação.
Com carinho,
Juliana Farah, presidente da Comissão Semeadoras do Agro da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)