A cota de importação de carne bovina brasileira com tarifa reduzida para a China foi integralmente utilizada. A avaliação é da consultoria Safras & Mercado, que acompanha mensalmente a evolução dos embarques com base nos dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Segundo o analista Fernando Iglesias, os embarques realizados em junho levaram a utilização da cota ao equivalente a 100% do volume disponível para 2026. Em junho, o Brasil exportou 158,3 mil toneladas de carne bovina para a China, o maior volume mensal embarcado ao país em 2026. Somadas às exportações realizadas entre janeiro e maio, as vendas atingiram a cota de 1,106 milhão de toneladas estabelecida pelo governo chinês para importações com tarifa reduzida. Com isso, toda a carne bovina brasileira embarcada para o mercado chinês a partir de agora ficará sujeita à tarifa cheia de aproximadamente 67%, percentual considerado inviável para a maior parte dos cortes comercializados.
Segundo Perosa, embora parte da carne ainda esteja em trânsito, o intervalo de 40 a 60 dias entre o embarque nos portos brasileiros e o desembarque no país asiático faz com que, na prática, toda a cota já tenha sido comprometida. A partir desse momento, as importações passam a recolher, além da tarifa regular de cerca de 12%, um adicional de aproximadamente 55%, elevando a tributação total para cerca de 67%.
Frigoríficos reduzem produção
Os efeitos do esgotamento da cota já começam a ser sentidos pela indústria. Com a perda de competitividade das exportações para a China, alguns frigoríficos anunciaram férias coletivas e reduziram o ritmo de produção.
De acordo com Perosa, as empresas mais dependentes do mercado chinês foram as mais afetadas, enquanto frigoríficos com maior diversificação de destinos conseguiram apenas desacelerar os abates e redirecionar parte da produção.
Mercado entra em fase de ajuste
A expectativa da entidade é de que os próximos meses sejam marcados por um processo de reorganização do mercado. Parte da carne que seria destinada à China deverá ser direcionada ao mercado interno e a outros países compradores, enquanto exportadores intensificam a busca por novos destinos, como Vietnã, Japão, Coreia do Sul e Turquia.
Esse período de adaptação também deve provocar ajustes no mercado do boi gordo. Segundo Perosa, a redução no ritmo das exportações já começou a pressionar as cotações da arroba, uma vez que a indústria passou a demandar menos animais para abate.
Apesar do cenário de curto prazo, o presidente da Abiec avalia que o mercado tende a encontrar um novo equilíbrio nos próximos meses. A expectativa é que a produção destinada à China seja retomada a partir de outubro, quando haverá renovação da cota de importação com tarifa reduzida, permitindo a normalização gradual dos embarques ao principal destino da carne bovina brasileira.