Capacitação gratuita atraiu participantes de municípios do estado, reforçando a qualificação técnica de maquinário agrícola de alto valor na região
Com o objetivo de aprimorar a mão de obra no campo e garantir maior rentabilidade na colheita de grãos, o Sistema Faesp/Senar promoveu, pela primeira vez no Sindicato Rural de Mineiros do Tietê, o curso “Manutenção e Operação de Colhedora Automotriz de Soja”. A capacitação, totalmente gratuita, é voltada a produtores, trabalhadores rurais e operadores que buscam dominar o manejo eficiente e seguro desses equipamentos, com foco direto na redução de perdas de grãos na lavoura e na correta manutenção preventiva.
A iniciativa chamou a atenção pela grande procura regional. Mesmo sendo tradicionalmente um polo canavieiro, Mineiros do Tietê e os municípios vizinhos vêm expandindo a relevância da produção de grãos, o que gerou interesse imediato de profissionais locais e de outras cidades.
“De início, fiquei com receio de que não fôssemos fechar turma, mas fomos surpreendidos pela alta procura, especialmente com a de participantes de outros municípios, como Bariri, Limeira e Campinas”, destacou a coordenadora do Sindicato Rural de Mineiros do Tietê, Mariane Pracânica.
Relevância econômica e preservação do patrimônio
Embora a cana-de-açúcar continue sendo a principal atividade agrícola do município, o cultivo de grãos — com destaque para a soja — já ocupa a segunda posição na produção local. Em culturas de alta intensidade técnica, a operação adequada do maquinário faz diferença direta nos custos de produção.
“Esse curso é muito importante para Mineiros do Tietê e toda a região. Como a soja está em segundo lugar na nossa produção agrícola, a demanda é real. São máquinas caras, que exigem manutenção periódica rigorosa”, explicou Mariane.
“Quando o produtor e seus colaboradores dominam essas técnicas, eles operam com precisão e adquirem autonomia para identificar e resolver pequenos problemas no campo. Isso gera economia direta e evita quebras causadas por imperícia.”
Correção de vícios operacionais
Durante cinco dias de imersão teórica e prática, a capacitação, ministrada pela instrutora Gisele Tavares, trabalhou a regulagem fina das colhedoras, parâmetros de segurança e a superação de hábitos inadequados de condução.
Segundo Mariane, a instrução profissional é fundamental inclusive para operadores que já possuem anos de rotina na lavoura: “A instrutora nos trouxe relatos de situações em que o operador já atua há muito tempo, mas insiste em práticas incorretas por hábito, o que compromete a vida útil da máquina. O treinamento quebra esses vícios do dia a dia, ensinando a maneira técnica e segura de utilizar um equipamento desse porte.”
Oportunidade de trabalho
Gisele Tavares, instrutora do Senar-SP há cinco anos, é administradora de empresas, engenheira mecânica e civil de formação, além de ser mestre e doutora em engenharia mecatrônica. Ela conta que algumas colheitadeiras chegam a custar mais de R$ 2 milhões, e apesar das oportunidades no campo atualmente o valor assusta alguns alunos e alunas.
“Uma das primeiras coisas que é preciso ter ao ministrar um curso de mecanização é empatia. Isso porque nem todo mundo fica à vontade ao operar uma máquina de milhões de reais”, explica.
“Vou além. Nós nunca tivemos máquinas no campo tão boas, com tecnologia embarcada moderna e de precisão. Portanto, quem está na cabine, ou no cockpit como alguns se referem, não é mais um operador, mas sim um programador.” Gisele explica que o curso do Senar-SP possibilita qualificar os participantes e, para quem tem algum conhecimento, um aprimoramento. Tudo isso, como diz no início, com segurança, palavra primordial para ela, que além dos títulos acadêmicos é também engenheira de segurança do trabalho.
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