Parceria reúne produtores em Fartura e Santa Fé do Sul para identificar desafios, custos de produção e oportunidades de fortalecimento da cadeia da tilápia
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), realizou mais uma etapa do Projeto Campo Futuro, desta vez voltada à cadeia produtiva da piscicultura de tilápia nos municípios de Fartura e Santa Fé do Sul. A iniciativa reuniu produtores, lideranças locais e técnicos para construir um retrato fiel da atividade, identificando custos de produção, indicadores de produtividade, gargalos e oportunidades que servirão de base para o desenvolvimento de políticas públicas e estratégias de fortalecimento do setor.
O Projeto Campo Futuro é desenvolvido de forma integrada pela CNA, federações estaduais, sindicatos rurais e instituições de pesquisa, utilizando uma metodologia participativa que permite aos próprios produtores descreverem a propriedade modal de cada região. A partir desse levantamento são calculados indicadores como custo operacional efetivo, custo operacional total, custo total, produtividade, rentabilidade e desempenho zootécnico, oferecendo um diagnóstico preciso da realidade enfrentada no campo.
Os painéis demonstraram que as duas regiões apresentam sistemas economicamente viáveis, embora com características distintas. Em Fartura, a piscicultura apresentou maior margem relativa de segurança econômica, beneficiada por melhor conversão alimentar e menor dependência da compra de peixes jovens, enquanto Santa Fé do Sul se destacou pela maior escala de produção e elevada produtividade por metro cúbico de tanque-rede, ainda que com custos mais elevados decorrentes da aquisição de juvenis e da necessidade de novos investimentos em estrutura.
Além dos números, o levantamento permitiu identificar desafios concretos enfrentados pelos produtores. Em Fartura, a principal preocupação apontada foi a sazonalidade na oferta de alevinos entre os meses de junho e agosto, fator que compromete o planejamento dos ciclos produtivos. Já em Santa Fé do Sul, o debate concentrou-se na modernização dos tanques-rede, cuja ampliação deverá elevar a produtividade, mas exigirá investimentos significativos por parte dos piscicultores. Essas informações fornecem subsídios estratégicos para orientar ações de assistência técnica, crédito, inovação e políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável da atividade.
Para a Faesp, a parceria com a CNA no Projeto Campo Futuro reforça o compromisso das duas entidades com uma agropecuária cada vez mais eficiente, competitiva e baseada em dados técnicos. Ao ouvir diretamente quem produz, o projeto transforma a experiência dos piscicultores em conhecimento estratégico, permitindo compreender os principais desafios da cadeia produtiva e contribuindo para a formulação de propostas que fortaleçam a piscicultura paulista e ampliem a competitividade do produtor rural brasileiro.