O mercado pecuário encerra setembro com altas nos preços ao longo de toda a cadeia, em um cenário marcado pela menor oferta de animais prontos para abate na entressafra e pela melhora das exportações em relação a agosto, segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Em São Paulo, o Indicador Cepea/Esalq do boi gordo acumulou alta de 5,42% em setembro, chegando a R$ 363,05 por arroba na terça-feira (29). No mesmo período, a carcaça casada avançou 3,08%, com média de R$ 24,74 por quilo, considerando os negócios à vista.
Na reposição, o movimento também foi de alta. O Indicador do Bezerro CEPEA/ESALQ em Mato Grosso do Sul subiu quase 1% em setembro e atingiu, em 28 de setembro, R$ 3.437,62 por cabeça, o maior valor da série histórica do Cepea, iniciada em fevereiro de 2000.
Preços sobem em toda a cadeia
O avanço dos preços não se restringe a setembro. Entre janeiro e setembro de 2026, o boi gordo acumulou valorização de 10%, enquanto o bezerro subiu 10,65%. No mesmo período, a carcaça casada avançou 6,1% e o boi magro, 5,81%.
Para pesquisadores do Cepea, a diferença entre os ritmos de valorização evidencia a disputa por margens entre os diferentes elos da cadeia pecuária.
A reposição mais cara aumenta os custos de recriadores e terminadores, enquanto a valorização da carne abaixo da alta da arroba reduz o espaço para a indústria frigorífica.
Nesse cenário, fatores como eficiência produtiva, relação de troca e capacidade de repasse dos preços da carne ganham importância para a rentabilidade dos agentes da cadeia.
Além da oferta mais restrita de animais prontos para abate durante a entressafra, a melhora das exportações em relação a agosto contribuiu para dar sustentação aos preços. O mercado também acompanha a expectativa de retomada das compras chinesas, outro fator apontado pelo Cepea na formação das cotações.