*José Luiz Tejon
Fui na posse da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) e conversei com o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Guilherme Campos. Perguntei a ele qual sua visão, expectativas e ações que o MAPA pode estar fazendo nesse momento de instabilidade internacional e ele me disse:
“O momento é muito turbulento, desafiador. O agro brasileiro tem uma importante participação, primeiro na venda de produtos para o Oriente Médio, é o principal fornecedor de carne de frango, tudo dentro da filosofia Halal que não tem substituto; segundo o Irã é o maior importador de milho. Só nisso já dá para ver como que isso impacta a cadeia do frango que do pintinho até o corte são 42 dias. É muito rápido. Existe toda uma preocupação, todo o suporte do governo federal e do Ministério da Agricultura a todo o setor que procura alternativas de onde colocar essa produção que não tem como chegar lá; terceiro é a questão dos insumos que vem daquela região que no momento está fechada para que posso vir para cá, e na procura de alternativas. E mostrando que os insumos, como combustível principalmente, o caminho que o Brasil escolheu em dar um enfoque na transição energética, vindo a energia do agro nacional, do biodiesel, do etanol, é o caminho correto. Estamos no caminho correto e damos todo o suporte para as alternativas e construindo juntos. Porque não tem nenhuma receita pronta do que fazer. Você vai procurando dentro da configuração atual um melhor caminho. Ao longo de todo o mandato, do ministro Carlos Fávaro e do presidente Lula a procura de novos mercados para os produtos nacionais, diversificando cada vez mais, de o que vender e para quem vender, diminuindo a dependência de um determinado país, de uma determinada região. Isso é uma procura incessante de todas as partes, tanto da parte do governo, mas principalmente por parte das empresas”.
Também o questionei como ficaremos em relação aos fertilizantes, se vamos fazer acontecer o Plano Nacional de Fertilizantes e como está o foco do governo nesse sentido e ele me respondeu:
“É um foco que já vem um bom tempo desse governo e de governos anteriores, temos as questões das licenças para poder explorar determinadas áreas, temos as questões de procurar as alternativas, não tem muita mágica. Mais uma vez o Brasil está na frente em outro quesito que serve de substituto aos fertilizantes e insumos de origem mineral, são os bioinsumos. O Brasil assume uma posição de liderança de ponta na adoção dessas tecnologias. Só se consegue com inovação tecnologia e dando graças a Deus que o Brasil tem uma Mariangela Hungria”.
Vim da França recentemente e ouvi de agricultores franceses, fazendo trabalhos e estudos lá para uma agricultura cada vez mais resiliente e perguntei quando ficava pronto os estudos e eles me disseram daqui a dois meses e eu pedi para eles me enviarem para olhar e eles responderam que não precisava porque copiaram do Brasil, ou seja, nós somos realmente um modelo espetacular!
*José Luiz Tejon é doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai, mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie, jornalista e publicitário, com especializações em Harvard, MIT e PACE/USA e Insead na França. Colunista da Rádio Eldorado e Estadão On-line, autor e coautor de 37 livros. Coordenador acadêmico de Master Science Food & Agribusiness Management pela Audencia em Nantes/França e FECAP/Brasil. Sócio Diretor da Biomarketing e da TCA International. Vice-presidente da Fundação Brasileira de Marketing (FBM) e da ADVB – Fundação Brasileira de Marketing e Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil. Profissional Head Agro Anefac. Prêmio Personalidade Agro ABAG 2023. Ex-diretor do Grupo Estadão, da Agroceres e da Jacto S/A.