Agronegócio precisa buscar novos mercados de forma permanente, diz ex-ministro da Agricultura

Por: Rogério Cabral

O ex-ministro da Agricultura e ex-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Roberto Rodrigues, afirmou que o agronegócio brasileiro precisa buscar novos mercados de forma permanente para enfrentar barreiras comerciais e manter o ritmo de crescimento das exportações. A declaração foi feita durante a 25ª edição do Congresso Brasileiro do Agronegócio.

“É preciso criar novos mercados para compensar aqueles de perca”, disse Rodrigues em entrevista ao repórter Marco Ribeiro, do Giro do Boi. Segundo ele, o Brasil avançou em produção e exportações, mas deve trabalhar para preservar os mercados conquistados e ampliar sua presença internacional. Dificuldades comerciais envolvendo China, estados Unidos e Europa são fatores que reforçam a necessidade de diversificação.

Confira a entrevista completa:

Desafios e estratégias para o setor

Roberto Rodrigues destacou cinco pontos principais para a estratégia do agronegócio na próxima década: abertura de mercados, logística, tecnologia, estabilização da renda e organização do setor. Ele apontou a logística como um dos desafios, mencionando que o avanço da produção no Centro-Oeste não foi acompanhado pela infraestrutura de transporte.

Além disso, a tecnologia é vista como fundamental para o desenvolvimento do setor. “O tema da inovação com inteligência artificial são temas que a tecnologia têm que desenvolver”, afirmou Rodrigues. Ele também enfatizou a necessidade de modernização do seguro rural para aumentar a proteção dos produtores e incentivar a adoção de tecnologias.

Organização e sustentabilidade no agronegócio

A organização do setor é outro ponto destacado por Rodrigues, especialmente para facilitar o acesso dos pequenos produtores ao mercado. Cooperativas desempenham um papel crucial na formação de escala e na inserção desses produtores em uma economia globalizada.

Na avaliação do ex-ministro, a sustentabilidade deve ser uma preocupação central, englobando não apenas aspectos técnicos, mas também de imagem. “Sustentabilidade não é só uma questão científica, tecnológica, ambiental, social, econômica. É também de imagem”, ressaltou.

Roberto Rodrigues defendeu ainda o combate a atividades ilegais que possam prejudicar a reputação do agronegócio, como incêndios criminosos e invasões de terras. Para ele, a transparência e sustentabilidade são essenciais para a competitividade do setor.

O Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado anualmente desde 2002, foi idealizado por Roberto Rodrigues e reúne representantes de diversos segmentos da cadeia produtiva. Ele acredita que a integração entre o agronegócio e outros setores, como serviços e comércio, é fundamental para fortalecer a competitividade do Brasil.