Mercado brasileiro de soja deve manter ritmo lento? Confira as projeções para o dia, segundo consultoria

Por: Rogério Cabral

O mercado brasileiro de soja deve seguir com negociações limitadas nesta terça-feira (20), mantendo o ritmo lento observado no início da semana. Os prêmios de exportação continuam insuficientes para compensar as pressões negativas sobre a formação dos preços, mesmo diante da recuperação dos contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), após seis pregões consecutivos de queda.

No câmbio, o dólar comercial opera em baixa de 0,60%, a R$ 5,0161, acompanhando a desvalorização da moeda norte-americana frente a outras divisas no mercado internacional. Os participantes também seguem atentos ao cenário eleitoral brasileiro.

Na segunda-feira (19), o mercado brasileiro de soja iniciou a semana com preços predominantemente mais baixos, pressionado pelos recuos em Chicago e no dólar. Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, os prêmios não foram suficientes para compensar as quedas, resultando em redução das ofertas dos compradores no mercado físico.

A comercialização permaneceu praticamente travada, com apenas negócios pontuais envolvendo entrega imediata e pagamento em janeiro. Fora essas operações, o mercado seguiu sem ofertas relevantes, enquanto os produtores permaneceram afastados das negociações diante dos atuais níveis de preços.

“Os prêmios não compensaram as quedas em Chicago e no dólar, e tivemos recuos nas ofertas dos compradores no físico”, observa Silveira. Segundo o analista, os produtores seguem fora do mercado nesses patamares.

  • Fique por dentro das principais notícias sobre a soja: acesse a comunidade Soja Brasil no WhatsApp!

Preços da soja no mercado físico

No mercado físico, as cotações apresentaram comportamento misto nas principais praças acompanhadas. Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos avançou de R$ 146,50 para R$ 147,00. Em Santa Rosa (RS), subiu de R$ 147,00 para R$ 148,00.

No Paraná, em Cascavel, os preços recuaram de R$ 144,00 para R$ 142,00 por saca. Em Rondonópolis (MT), a cotação caiu de R$ 141,00 para R$ 140,00, enquanto, em Dourados (MS), passou de R$ 140,50 para R$ 138,00. Em Rio Verde (GO), a saca recuou de R$ 139,00 para R$ 138,00.

Nos portos, as referências também registraram queda. Em Paranaguá (PR), a saca passou de R$ 155,00 para R$ 153,00. Em Rio Grande (RS), os preços recuaram de R$ 155,50 para R$ 154,00.

Chicago ensaia recuperação técnica

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago, os contratos futuros da soja operam em alta de 0,29%, com o vencimento novembro de 2026 cotado a US$ 12,57 1/4 por bushel.

O mercado ensaia uma recuperação técnica após seis pregões consecutivos de baixa. O movimento ocorre em meio à valorização superior a 6% dos preços do petróleo em Nova York, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, que seguem influenciando as negociações da commodity.

Apesar da reação em Chicago, o avanço ainda não é suficiente para estimular de forma significativa os negócios no mercado brasileiro, diante das condições cambiais e dos prêmios de exportação.

Dólar recua no mercado internacional

O dólar comercial registra queda de 0,60%, cotado a R$ 5,0161. O Dollar Index, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de divisas, recua 0,23%, aos 101,740 pontos.

A desvalorização cambial reduz o suporte aos preços domésticos da soja, contribuindo para limitar a capacidade de recuperação das cotações no mercado brasileiro.