Em reunião virtual da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte, entidade reforçou o papel dos sindicatos rurais na divulgação do fundo estadual e alinhou respostas contra a mosca-dos-estábulos junto à Defesa Agropecuária
A Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) reuniu-se de forma virtual, nesta quinta-feira (15), para tratar de temas cruciais para a sanidade animal e a competitividade do rebanho paulista. Entre as principais pautas do encontro estiveram a consolidação do Fundo de Defesa Estadual da Sanidade Animal para a Pecuária (Fundesa-PEC), o fortalecimento da vigilância passiva contra a febre aftosa e as estratégias conjuntas de combate aos surtos da mosca-dos-estábulos.
Instituído pela Lei nº 18.077/2024, o Fundesa-PEC contou com o protagonismo direto da Faesp na sua construção e implementação. Composto por recursos arrecadados junto ao setor produtivo e gerido sob tutela pública pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) e Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), o fundo tem finalidade estrita e exclusiva: o pagamento de indenização complementar a produtores que tiverem animais sacrificados em eventuais focos de febre aftosa. A medida reforça a salvaguarda de um setor expressivo: segundo dados da Pesquisa Pecuária Municipal do IBGE, o estado de São Paulo conta com um rebanho bovino na ordem de 10.291.548 cabeças.
Durante o encontro, os membros da comissão enfatizaram que os Sindicatos Rurais devem intensificar a divulgação do mecanismo, orientando os pecuaristas sobre como essa ferramenta funciona como um verdadeiro colchão de segurança para a atividade.
O coordenador da Comissão Técnica, Cyro Ferreira Penna Junior, alertou para o rigor sanitário que o momento exige: “O surgimento de qualquer foco de febre aftosa fecha imediatamente os mercados internacionais aos produtores brasileiros. A vigilância e a rápida notificação são compromissos inegociáveis de toda a cadeia.”
Com o Brasil já é reconhecido como livre de aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), a comissão destacou a necessidade de capacitar o pecuarista como sentinela no campo, transferindo a ele os conhecimentos necessários para identificar uma possível infecção pelo vírus.
Outro ponto prioritário debatido foram os recentes surtos da mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans), praga que, além de impactar o bem-estar animal, gera perdas severas de produtividade. Para conter os impactos do inseto — frequentemente associado ao manejo inadequado de resíduos agroindustriais de canaviais —, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), a Secretaria de Agricultura e Abastecimento e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) estão trabalhando de forma integrada para viabilizar soluções técnicas céleres, que incluem fiscalização, orientação aos produtores e diálogo com as usinas da região.
A reunião abordou ainda o cenário do mercado pecuário, marcado pela valorização da arroba e desafios na relação de troca na reposição, bem como a necessidade de avanços em rastreabilidade para o mercado externo.