As chuvas começam a avançar sobre as principais regiões produtoras do Brasil e devem criar condições mais favoráveis para a safra de verão 2026/27 no início de outubro. A distribuição das precipitações, entretanto, ainda é irregular, com áreas de Mato Grosso e do Matopiba mantendo déficit de umidade, de acordo com dados de sensoriamento remoto realizados pela EarthDaily, empresa de monitoramento de áreas agrícolas com uso de imagens de satélites.
“Entre 22 de setembro e 1º de outubro, foram registradas chuvas sobre boa parte do Centro-Sul do país. No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul e partes de Mato Grosso e Goiás registraram volumes acima da média, favorecendo a recuperação da umidade do solo e o início da safra de soja e milho verão. Outras áreas de Mato Grosso e Goiás, porém, receberam volumes mais baixos, mantendo condições bastante heterogêneas”, explica Felippe Reis, analista de culturas da EarthDaily.
Essa irregularidade faz com que a recuperação da umidade do solo ocorra em ritmos diferentes dentro da própria região. Mato Grosso permanece como um dos principais pontos de atenção para o avanço do plantio, enquanto Goiás e partes de Mato Grosso do Sul apresentam condições mais favoráveis.
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MT pode ter recuperação rápida, mas temporária
Em Mato Grosso, apesar das chuvas recentes, a umidade do solo permaneceu abaixo da média durante praticamente todo o mês de setembro. Para o início de outubro, porém, o modelo climático europeu (ECMWF) indica uma recuperação rápida, que pode superar 31%, aproximando-se da média histórica, antes de voltar a recuar nos dias seguintes.
Essa melhora seria importante para o plantio e o estabelecimento da soja 2026/27. A queda projetada posteriormente, contudo, indica que o quadro pode ser temporário, mantendo a necessidade de chuvas regulares ao longo de outubro para sustentar o avanço da safra.
Chuva favorece safra no Centro-Oeste
Para os próximos dez dias, ECMWF e GFS indicam chuvas acima da média em grande parte do Centro-Sul, incluindo importantes áreas produtoras de soja e milho. O cenário tende a criar condições mais favoráveis para o avanço do plantio da soja 2026/27 no Centro-Oeste.
“Os modelos, entretanto, apresentam diferenças importantes em relação às temperaturas. O ECMWF indica temperaturas próximas ou abaixo da média em grande parte das regiões produtoras, enquanto o GFS projeta anomalias positivas mais expressivas no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso”, comenta Felippe Reis, analista de culturas da EarthDaily.
Essa divergência é relevante para a soja. No cenário mais ameno do ECMWF, a menor demanda evaporativa favoreceria o aproveitamento das chuvas previstas. Já o cenário mais quente do GFS elevaria a demanda hídrica e poderia retardar a melhora das condições nas áreas que ainda apresentam déficit.
Para 7 de outubro, o ECMWF prevê uma melhora expressiva das condições hídricas no Centro-Oeste, principalmente em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul. Caso a projeção se confirme, o ambiente deve se tornar mais favorável para o plantio e o estabelecimento da soja 2026/27.
Matopiba ainda depende das chuvas
No Matopiba, as chuvas acumuladas desde meados de setembro permanecem abaixo da média histórica, apesar do aumento das precipitações no final do mês.
Porém, o cenário também varia entre os estados. Maranhão e Piauí apresentam áreas com precipitação acima da média, enquanto Tocantins e Bahia registram condições predominantemente mais secas que o normal. Com isso, o estabelecimento das chuvas ainda não ocorre de maneira uniforme em toda a região, aumentando a necessidade de novas precipitações nas próximas semanas, à medida que avança a semeadura da safra de verão.
Para as próximas duas semanas, os modelos apresentam forte divergência. O ECMWF projeta uma intensificação das chuvas, com o acumulado podendo chegar a cerca de 49 mm, próximo da média histórica de 51 mm, enquanto o GFS prevê apenas cerca de 29 mm.
Para a soja 2026/27, a confirmação do cenário mais úmido do ECMWF favoreceria a recuperação da umidade do solo e o avanço do plantio. Já o cenário mais seco do GFS poderia manter limitações hídricas em parte do Matopiba e restringir o ritmo de semeadura.
Alta umidade beneficia o plantio no Sul
No Sul, Paraná e partes do Rio Grande do Sul apresentam umidade do solo acima da média. A elevada disponibilidade hídrica favorece o estabelecimento da safra verão, mas, para o trigo, a persistência de solos muito úmidos continua sendo um fator de risco, principalmente para as lavouras em maturação e colheita.
As chuvas se intensificaram nas últimas semanas, com acumulados elevados principalmente no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O volume registrado desde o início de agosto já está bem acima da média histórica e, segundo a previsão do ECMWF, pode se aproximar de 600 mm até meados de outubro, ampliando ainda mais o excesso em relação aos últimos anos.