As negociações comerciais entre China e Estados Unidos voltaram a mexer com o mercado da soja e contribuíram para dar sustentação às cotações da oleaginosa nos últimos dias. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as especulações em torno de acordos entre os dois países impulsionaram os preços no mercado internacional.
O movimento ocorre em meio a novos avanços na relação comercial entre as duas maiores economias do mundo. Estados Unidos e China anunciaram redução de tarifas sobre US$ 30 bilhões em mercadorias, incluindo produtos agrícolas, enquanto o mercado aguarda mais detalhes sobre os efeitos das negociações para as compras chinesas de soja norte-americana.
A expectativa em torno de uma possível ampliação da demanda chinesa pela soja dos Estados Unidos tem influenciado as negociações internacionais. Além disso, segundo o Cepea, a valorização do farelo também contribuiu para dar suporte aos preços da oleaginosa.
Soja segue firme no Brasil
No mercado brasileiro, os preços da soja permanecem firmes, sustentados também pela menor disponibilidade do grão.
Segundo pesquisadores do Cepea, produtores estão resistentes em negociar grandes volumes, tanto para entrega imediata, envolvendo os estoques remanescentes da safra 2025/26, quanto nos contratos a termo da temporada 2026/27.
Essa retração dos vendedores limita a oferta disponível no mercado e contribui para a sustentação das cotações.
El Niño também entra no radar
Além das movimentações entre China e Estados Unidos, as condições climáticas para a nova safra brasileira são acompanhadas de perto pelos agentes.
De acordo com o Cepea, preocupações relacionadas ao clima e aos possíveis impactos do El Niño sobre o desenvolvimento da temporada 2026/27 também deram suporte aos preços.
A valorização do dólar frente ao real completa o conjunto de fatores que sustentaram as cotações no mercado doméstico nos últimos dias.