Da porteira à tribuna: a voz da mulher onde o futuro do agro é decidido

Por: Juliana Farah

Olá, queridas leitoras,

Por décadas, a história da mulher no campo foi contada nos bastidores da produção. Estivemos no manejo da terra, no controle das contas, na lida diária e no suporte incondicional à família e aos negócios rurais. No entanto, à medida que a agropecuária paulista se consolida como referência global em tecnologia, gestão e sustentabilidade, uma transformação silenciosa precisa ganhar escala: a transição definitiva da presença feminina da porteira para as tribunas institucionais.

Gerenciar uma propriedade com eficiência técnica é apenas o primeiro passo da liderança rural. O verdadeiro alcance da nossa atividade é definido nas mesas onde se formulam políticas públicas, nos debates sobre crédito, nas assembleias de cooperativas e, essencialmente, nos Sindicatos Rurais. Quando a mulher ocupa uma cadeira diretiva ou assume a palavra em um fórum setorial, ela não leva apenas a sua vivência individual; leva uma perspectiva holística sobre governança, sustentabilidade e bem-estar coletivo.

O sindicalismo patronal não é uma estrutura meramente burocrática: é a linha de frente da defesa dos nossos direitos, da segurança jurídica e da representatividade econômica. Por muito tempo, esse espaço refletiu uma hegemonia histórica que já não corresponde à realidade dinâmica dos nossos campos. A mulher do agro não é mais coadjuvante nem espectadora das decisões tomadas por terceiros. Ela é parte fundamental do motor que sustenta a economia nacional e, como tal, deve ser protagonista nas instâncias decisórias.

Essa é a essência e a razão de ser da Comissão Semeadoras do Agro da Faesp. O nosso papel vai muito além de conectar histórias de sucesso; nossa missão é criar pontes estruturadas para que cada produtora rural, agrônoma, pecuarista ou empresária sinta-se encorajada e capacitada a participar ativamente da vida sindical de seu município e de sua região. Representatividade não é uma concessão, é uma conquista que se constrói com preparo, articulação e coragem cívica.

O fortalecimento do agronegócio paulista exige pluralidade e renovação contínua de lideranças. O Sistema Faesp/Senar oferece as ferramentas, o suporte e os espaços de formação; cabe a nós, mulheres do campo, dar o passo à frente e ocupar os assentos que moldam os rumos do setor.

Quando uma mulher sobe à tribuna do seu sindicato, ela não abre caminhos apenas para si mesma — ela planta a certeza de que as próximas gerações encontrarão um agro mais justo, integrado e verdadeiramente representativo. A nossa voz precisa ecoar onde as decisões nascem. O momento de liderar é agora.

Com carinho, Juliana Farah, presidente da Comissão Semeadoras do Agro da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)