CNA defende políticas de Estado para reduzir dependência de fertilizantes

Por: Rogério Cabral

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defendeu, nesta quarta-feira (12), em Brasília, a adoção de políticas de Estado para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes. O tema foi discutido durante o “Fórum Mais Milho: Os pilares da produção”, promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), com participação de especialistas e representantes do setor.

No painel “Insumos e Competitividade”, o diretor técnico adjunto da CNA, Maciel Silva, apresentou um panorama do mercado de fertilizantes. Segundo ele, o debate envolveu preços, abastecimento, dependência externa e desafios estruturais para ampliar a produção nacional.

Maciel afirmou que a situação geopolítica dos últimos anos, como a guerra entre Rússia e Ucrânia e os conflitos na região do Golfo, evidenciou a dependência brasileira desses insumos. Em 2025, o Brasil importou 92% do total de fertilizantes consumidos na agricultura.

De acordo com o representante da CNA, os acontecimentos mais recentes no Golfo impactaram os preços dos fertilizantes nitrogenados, já que a região tem relevância no fluxo de gás natural, principal matéria-prima usada na produção desses produtos.

Durante o debate, Maciel defendeu uma estratégia de longo prazo para reduzir a dependência externa. Entre as medidas citadas, estão a implementação efetiva do Plano Nacional de Fertilizantes e a criação de um ambiente de negócios mais competitivo e previsível.

Na avaliação apresentada pela CNA, também é necessário enfrentar gargalos ligados ao custo e à disponibilidade de matérias-primas, especialmente o gás natural, além de avançar em infraestrutura, conhecimento, mapeamento do potencial mineral brasileiro, licenciamento e segurança jurídica para a exploração de recursos. O dirigente também mencionou a necessidade de políticas de financiamento e estímulo a investimentos para viabilizar novos projetos e ampliar a capacidade produtiva nacional.

Fonte: cnabrasil.org.br