Iniciativas da Secretaria de Agricultura e Abastecimento fomentam a valorização da cadeia produtiva da bebida no Estado, um dos principais produtores do país
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo lançou nesta quinta-feira (6) a terceira edição do Concurso Estadual de Qualidade da Cachaça Paulista – CACHAÇA.SP 2026. No evento, também foi oficializado o novo Selo Agro SP – Cachaça Paulista, criado para reconhecer a qualidade, a tradição e a identidade da bebida produzida no Estado. O primeiro selo da categoria foi entregue à produtora Laura Vicentini, do município de Batatais.
O concurso chega à terceira edição ampliando de cinco para sete as categorias de avaliação: Cachaça Branca (inox); Cachaça Armazenada em tonéis de madeira; Cachaça Envelhecida em barris de Carvalho; Cachaça Envelhecida Premium em barris de Carvalho; Cachaça Envelhecida Extra Premium em barris de Carvalho; Cachaça Envelhecida em barris de Madeiras Brasileiras; e Blend. Cada produtor poderá inscrever uma amostra em cada categoria.
As inscrições são gratuitas e ficam abertas até 21 de setembro. Para participar, é necessário preencher o formulário eletrônico de inscrição e anexar documentação como registro do estabelecimento e do produto junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), laudo de análise química do lote, termo de compromisso, autorização de uso de imagem e ficha de inscrição. Após a habilitação, as amostras poderão ser entregues em unidades da CATI distribuídas pelo Estado, facilitando a participação de produtores de diferentes regiões. O julgamento sensorial está previsto para outubro, e os vencedores serão anunciados em dezembro.
Em 2025, a segunda edição do concurso recebeu 113 amostras, crescimento de 40% em relação à edição anterior. Para o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, a ampliação da competição e a criação do novo selo reforçam o trabalho do Estado para dar visibilidade à produção paulista.
“Este concurso e o novo Selo Agro SP – Cachaça Paulista são formas de reconhecer a qualidade e o trabalho dos produtores e de mostrar ao consumidor a força da nossa produção. A cachaça é parte da diversidade e da qualidade do agro paulista, que se destaca nacionalmente pela variedade de produtos em que somos relevantes tanto em volume quanto em excelência. E nada disso seria possível sem a parceria com o setor produtivo, que nos ajuda a construir políticas públicas alinhadas às necessidades de quem está no campo”, afirma o secretário.
O novo Selo Agro SP – Cachaça Paulista passa a integrar a coleção de selos da Diretoria de Desenvolvimento dos Agronegócios, destinada a destacar produtos que representam a identidade, a qualidade e a tradição do agro paulista. A criação foi oficializada por resolução do secretário, assinada durante a solenidade.
A produtora e presidente da Câmara Setorial da Cachaça, Laura Vicentini, recebeu o primeiro Selo Agro SP – Cachaça Paulista. Representante da nova geração de produtores do setor, Laura atua também em iniciativas relacionadas à sustentabilidade e à inovação na produção de cachaça, como a SôZé Sustainable Cachaça e a Spinagro.
“Recebo este selo com muita alegria, não apenas como produtora, mas como representante de todo o setor. Ele mostra que estamos trilhando um caminho importante para o posicionamento da cachaça paulista. Nenhum produtor consegue levar seu produto mais longe sozinho, por isso precisamos unir os esforços do setor privado e do poder público”, destacou Laura.
Legenda: Laura Vicentini transformou fazenda canavieira em exemplo de sustentabilidade e economia circular
Criado em 2024, o Selo Agro SP já certificou 183 estabelecimentos no Estado. A categoria Cachaça Paulista é a quinta a integrar a iniciativa, que já contempla os selos Agro SP Artesanal, Propriedade Livre de Brucelose e Tuberculose (PLBT), Café Campeão e Cafés. A estratégia busca reconhecer produtos de qualidade, incentivar boas práticas, ampliar a competitividade do agro paulista e promover a origem de São Paulo como diferencial de mercado.
Primeira IG de cachaça de São Paulo reconhece produção do Circuito das Águas
O lançamento ocorre em um momento de importantes conquistas para a cachaça paulista. Em julho deste ano, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP), para a cachaça de alambique produzida no Circuito das Águas Paulista. É a primeira IG de cachaça reconhecida no Estado.
A indicação contempla produtores de nove municípios: Águas de Lindóia, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro. A região já possui também uma Indicação Geográfica para o café.
Com a nova conquista, São Paulo passou a contar com 12 IGs relacionadas a produtos do agro, de um total de 16 Indicações Geográficas reconhecidas no território paulista. O reconhecimento da cachaça do Circuito das Águas contribui para diferenciar o produto no mercado, valorizar a origem e preservar conhecimentos e características tradicionais da produção regional.
São Paulo é segundo maior produtor do país
O Estado de São Paulo ocupa a segunda posição entre os maiores produtores de cachaça do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais, que possui 564 estabelecimentos registrados. Os dados são do Anuário da Cachaça 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
Segundo a publicação, São Paulo possui aproximadamente 230 produtores de cachaça, alta de 27,7% em relação ao ano anterior, quando eram cerca de 180. O Estado reúne ainda 1.185 produtos registrados. O município de Dracena é um dos destaques nacionais com 50 cachaças registradas.
O desempenho coloca São Paulo entre os principais produtores e exportadores brasileiros, considerando tanto a cachaça de coluna quanto a de alambique.
Além da produção, o Estado também vem investindo na integração entre a bebida, o turismo e a valorização dos territórios. Lançadas em dezembro de 2025, as Rotas da Cachaça são uma iniciativa intersecretarial voltada ao fomento do agroturismo em alambiques paulistas. São oito rotas e dois destinos distribuídos por 65 municípios, que aproximam os visitantes dos produtores, dos processos de fabricação e das experiências ligadas à cultura da cachaça.