EUA ampliam compras e pagam preço recorde pela carne bovina brasileira em julho

Por: Rogério Cabral
Mesmo com retração das exportações brasileiras no mês, mercado norte-americano aumentou em 105,8% o volume comprado e pagou US$ 6.141 por tonelada

O preço superou o recorde anterior, registrado em 2021, quando a tonelada havia alcançado US$ 5.876, e ficou 10,7% acima do valor médio de julho de 2025, segundo levantamento elaborado por Geraldo Isoldi, analista da Terra Investimentos.

O movimento chama ainda mais atenção porque acontece justamente em um mês de desaceleração das exportações brasileiras de carne bovina.

Os dados consolidados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 227,94 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada em julho de 2026, contra 276,88 mil toneladas no mesmo mês do ano passado. A redução foi de 17,7% no volume.

A receita também caiu, mas em intensidade bem menor. Os embarques renderam US$ 1,447 bilhão, recuo de 5,8% frente aos US$ 1,537 bilhão registrados em julho de 2025.

A diferença entre a queda do volume e da receita revela outro dado importante para o setor: a carne bovina brasileira está sendo negociada por valores mais elevados no mercado internacional.

O preço médio geral das exportações alcançou US$ 6.350,50 por tonelada em julho, avanço de 14,4% na comparação com os US$ 5.549,40/t registrados há um ano.

EUA compram mais — e pagam mais

Dentro desse cenário, o comportamento dos Estados Unidos ganha relevância.

De acordo com o levantamento da Terra Investimentos, o volume de carne bovina brasileira enviado aos EUA em julho aumentou 105,8% em relação ao mesmo mês de 2025. Ou seja: enquanto os embarques brasileiros totais recuaram, as compras norte-americanas mais que dobraram.

E isso aconteceu simultaneamente ao estabelecimento de um preço recorde.

Para Geraldo Isoldi, essa combinação é um dos pontos mais importantes dos números de julho. O crescimento das vendas não ocorreu por meio de um redirecionamento de produto brasileiro para os Estados Unidos a preços depreciados. Ao contrário: houve aumento expressivo de volume acompanhado de valorização do produto.

Na avaliação do analista, os números indicam uma demanda efetiva do mercado norte-americano, disposta a pagar mais pela carne importada.

Menor rebanho em 75 anos aumenta necessidade de importações

Parte da explicação está dentro dos próprios Estados Unidos.

O rebanho bovino norte-americano encontra-se nos menores níveis das últimas décadas, resultado de um processo de redução do plantel que limita a capacidade de expansão da produção doméstica no curto prazo.

Segundo a análise da Terra Investimentos, o rebanho dos EUA está na mínima em 75 anos, cenário que aumenta a necessidade de importação de carne bovina para complementar a oferta doméstica.

Nesse ambiente, o Brasil ganha espaço não apenas como fornecedor de grandes volumes, mas como uma origem capaz de atender uma necessidade estrutural do mercado americano.

Os preços pagos ajudam a dimensionar essa mudança.

Após a reabertura do mercado norte-americano para a carne bovina in natura brasileira, em 2020, o preço médio das exportações realizadas nos meses de julho permaneceu, entre 2020 e 2024, predominantemente na faixa de US$ 4.500 a US$ 4.700 por tonelada.

Em julho de 2026, ultrapassou pela primeira vez os US$ 6 mil por tonelada, chegando aos US$ 6.141/t.

É uma mudança importante na relação comercial. O mercado americano está absorvendo mais produto brasileiro justamente em um momento de restrição da oferta doméstica e, simultaneamente, aceitando pagar valores historicamente elevados.

Fonte: Notícias Agrícolas