Resiliência que vem da terra: a liderança feminina frente aos desafios climáticos

Por: Juliana Farah

Olá, queridas leitoras,

Nos últimos dias presenciamos eventos climáticos que chamaram a atenção por sua força, seja em áreas de litoral, seja no interior dos estados. E quando observamos os mapas de previsão do tempo nas últimas safras, a única certeza — desculpem o termo, é a incerteza.

Mês a mês, produtores rurais de São Paulo e de todo o Brasil enfrentam regimes de chuva atípicos, veranicos prolongados e oscilações térmicas que desafiam qualquer planejamento. Diante desse cenário de emergência climática, a gestão de riscos deixou de ser um conceito teórico para ser uma questão de sobrevivência e continuidade da atividade agropecuária.

Nas propriedades conduzidas ou geridas por mulheres — realidade impulsionada pelo trabalho de conscientização e capacitação da Comissão Semeadoras do Agro da Faesp —, observa-se um olhar estrategicamente sensível e preventivo entre produção e natureza.

Vemos cada vez mais mulheres liderando a transição para práticas sustentáveis: a recuperação de solo degradado, a adoção do plantio direto, a conservação rigorosa das nascentes e matas ciliares, e a implementação de sistemas de captação de água da chuva. Trata-se de uma visão de gestão de risco que não espera a crise instalar-se para agir, mas constrói amortecedores naturais no ecossistema da fazenda.

Outro pilar fundamental da atuação feminina diante da volatilidade do clima é a diversificação das fontes de renda e de culturas. Historicamente atentas à segurança da família e da comunidade, as produtoras tendem a evitar a dependência de uma única atividade, introduzindo a ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), horticultura protegida ou a agregação de valor via agroindústria artesanal. Quando o clima afeta uma frente de produção, a estabilidade do negócio é mantida pelas demais.

A adaptação às mudanças climáticas exige conhecimento contínuo, e é nesse ponto que as Semeadoras do Agro cumprem seu papel institucional mais nobre. Ao fomentar eventos com trilhas de conhecimento ajuda a capacitar a mulher para um olhar não apenas empreendedor, mas de organização e administração consciente, que não se limita somente ao aspecto financeiro, mas sim a conservação ambiental e os cuidados preventivos das intempéries que temos testemunhado cada vez mais.

O futuro do agronegócio paulista e brasileiro passa, inevitavelmente, pela capacidade de responder com agilidade às transformações do planeta. E nessa jornada, as mulheres do campo provam, dia após dia, que semear o futuro significa cuidar das raízes, proteger os recursos e liderar a transformação com coragem, técnica e visão sustentável.

Com carinho, Juliana Farah, presidente da Comissão Semeadoras do Agro da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)