Em lives promovidas pela Girassol Agrícola, meteorologista Luiz Carlos Molion alerta que o aquecimento do Pacífico ainda não permite confirmar os efeitos do fenômeno nas áreas produtoras do Brasil
A possibilidade de um novo episódio de El Niño coloca o clima entre os principais fatores de atenção para a safra 2026/2027. Embora o Oceano Pacífico Equatorial apresente sinais de aquecimento e os modelos climáticos indiquem a probabilidade da ocorrência do fenômeno, o meteorologista e professor Luiz Carlos Molion alerta que ainda não houve o acoplamento entre o oceano e a atmosfera — condição necessária para que o El Niño se configure e passe a produzir efeitos sobre o clima.
O alerta foi feito durante uma ação inédita promovida pela Girassol Agrícola, que reuniu produtores responsáveis por mais de 850 mil hectares em três dias de lives com análises e perspectivas climáticas para importantes regiões agrícolas como Matopiba, Norte de Mato Grosso e o conjunto formado pelo sul de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
Segundo Molion, o aquecimento das águas do Pacífico, isoladamente, não é suficiente para confirmar a ocorrência do fenômeno. “A atmosfera pode levar de três a quatro meses para responder às mudanças na temperatura do oceano. Por isso, será necessário acompanhar a evolução do sistema, especialmente até o fim de setembro, para verificar se haverá o acoplamento entre o oceano e a atmosfera”, explicou.
No entanto, o meteorologista confirmou que, desde abril, já se nota uma redução no regime de chuvas, com precipitações abaixo da média em grande parte do país. Padrão climático que, segundo ele, deve se manter até 2035. “Teremos uma estação seca mais alongada. A chuva reduz em abril e não volta em setembro como era antes. Isso será mais frequente no centro-oeste e do norte do Paraná até o Norte do País”, disse o professor Molion. Segundo ele, esse comportamento está associado a um sistema de alta pressão, que favorece a descida do ar mais seco sobre a América do Sul, dificultando a formação de nuvens e reduzindo as chuvas.
Padrão de chuva regional na safra 2026/2027
Durante os três dias de transmissão da Girassol Agrícola, o meteorologista fez previsões sobre o padrão de chuva em diferentes regiões produtoras.
No Matopiba, por exemplo, de outubro a dezembro, a redução das chuvas estará mais acentuada na região norte de Minas Gerais, parte do norte de Goiás e sul do Tocantins. Em Porto Nacional, no Tocantins, a redução das chuvas pode chegar a 30%. No Maranhão e Piauí estão previstas reduções menores de 20 a 30 mm por mês. Porém, no período de janeiro a março, há expectativa de recuperação das chuvas na região do Matopiba.
Já em Mato Grosso, principal região produtora de soja, as previsões demonstram redução das chuvas entre julho e setembro na região norte do Estado. A partir de outubro, porém, há expectativa de recuperação das precipitações. Tendo Campos Novos do Parecis como referência, o acumulado pode chegar próximo a 730 milímetros, cerca de 25% acima do volume normalmente registrado para o período. Segundo o Meteorologista, o norte e o oeste de Mato Grosso não terão mudanças extremas no padrão de chuvas, o ponto de atenção está mais a leste do Estado.
A previsão para o Sul de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul segue padrão positivo. Entre julho e setembro, algumas áreas podem registrar acumulados entre 30 mm, 60% menos que a média histórica. De outubro a dezembro, os acumulados sobem e podem chegar a 500 mm, mantendo a média de chuvas prevista para janeiro e acima da média em fevereiro.
As lives podem ser acessadas pelos links abaixo:
– https://www.youtube.com/watch?v=cI_S-0np_ls&t=6s
– https://youtu.be/4moJmJ_wivM?si=lM84lk4MZPUAnk6l
– https://www.youtube.com/watch?v=goseuxxdz20