A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP), por meio de seu presidente, Tirso Meirelles, expressa o mais absoluto repúdio à decisão unilateral e arbitrária do governo dos Estados Unidos — anunciada por meio do Escritório do Representante de Comércio (USTR) — de impor uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre as exportações brasileiras. Com essa medida, setores antes isentos da lista da sobretaxa de 25% passam a ser taxados em 12,5%, enquanto outros produtos atingirão o patamar abusivo de 37,5% de tributação.
Com um histórico de 200 anos de relações comerciais com os Estados Unidos, é totalmente descabida a insinuação de que o Brasil convive com trabalho forçado. O agronegócio brasileiro atua sob rigorosos parâmetros de compliance e agendas ESG para garantir e acompanhar a qualidade da força de trabalho de ponta a ponta. Nosso compromisso com os direitos humanos e a dignidade no campo é intransigente.
Como temos alertado há quase dois anos, quando representantes da FAESP — e de todo o setor produtivo brasileiro — participaram de uma missão internacional com parceiros comerciais e entes governamentais dos EUA: é lamentável a postura do Governo Federal, que não tratou este assunto com a devida gravidade desde o início e, pior, trabalhou em sentido oposto, evidenciando que proteger essa parceria secular e o setor produtivo não era uma prioridade.
Ao não enxergar a real dimensão do problema e deixar de corrigir a rota de imediato — por motivos político-eleitoreiros —, o Governo Federal prejudica todo o setor produtivo, em especial o agronegócio, indiscutível fiel da balança comercial brasileira. Cabe destacar que a lista de exceções que ora se apresenta nesta nova medida não é fruto de empenho governamental, mas sim do árduo esforço direto feito pelo agro, indústria, comércio e serviços junto aos nossos parceiros comerciais internacionais.
A FAESP reitera a necessidade de uma postura enérgica do Executivo Federal. É preciso combater a crônica inércia da diplomacia comercial brasileira, que assiste passivamente ao cercamento de mercados globais sem qualquer movimento concreto para salvaguardar o setor produtivo nacional. Afinal, não são apenas os Estados Unidos que estão protegendo seu mercado sem reação proporcional do Brasil: a China também impõe uma pesada sobretaxa de 55% sobre a carne bovina brasileira, trazendo desafios complexos que não podem deixar de ser notados nem continuar sem resposta diplomática.
É urgente acionar rápida e estrategicamente todos os canais de diplomacia comercial para restabelecer parâmetros que permitam a concorrência leal. Acreditamos que ainda há espaço para o diálogo firme, propositivo e que salvaguarde quem produz a segurança alimentar mundial. Não é o momento de ativação da Lei de Reciprocidade Econômica.
Tirso Meirelles é Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) e membro da Academia Brasileira de Agricultura