
Originário da África do Sul e desembarcado no Brasil no final da década de 1990, o avanço do bonsmara no Brasil é impulsionado por um tripé produtivo: a alta heterose nos cruzamentos, sua adaptabilidade ao clima tropical e a entrega de carne de qualidade superior.
O médico-veterinário e inspetor técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Bonsmara, Fúlvio Domenech, destacou em entrevista ao Giro do Boi que essa raça consegue imprimir a rusticidade necessária para a produção nos trópicos.
Domenech afirmou que, além da rusticidade, o bonsmara apresenta características como fertilidade, precocidade e conformação frigorífica, atributos que são frequentemente associados a raças britânicas. Uma das maiores vantagens competitivas da raça é sua capacidade de suprir a carência do mercado brasileiro por touros taurinos que realizam repasse e cobertura a campo em regiões de calor extremo, como Mato Grosso, Tocantins e Pará.
Confira a entrevista completa:
Características e adaptação
Todos os touros chancelados pela Associação passam por auditoria técnica e são selecionados por características como a alta densidade de glândulas sudoríparas. Isso permite uma troca térmica eficiente sob sol intenso, mantendo a libido ativa. O sangue Afrikaner da raça confere alta tolerância a carrapatos e moscas-do-chifre, aspectos fundamentais para a criação em invernadas extensas.
A seleção da raça também é rigorosa em relação à morfologia, garantindo prumos corretos, cascos escuros e resistentes, além de bainha e umbigo corrigidos. Esses fatores contribuem para a longevidade e baixo custo de manutenção veterinária a campo.