A inadimplência entre produtores rurais pessoas físicas chegou a 8,8% no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento inédito divulgado pela Serasa Experian nesta terça-feira (15). O índice representa alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado e avanço de 0,6 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior.
O indicador considera dívidas superiores a 180 dias de atraso contraídas junto a empresas ligadas ao agronegócio.
Segundo Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, os números mostram que parte dos produtores ainda enfrenta dificuldades para recuperar a capacidade financeira.
“A alta gradual da inadimplência mostra que, no início de 2026, os produtores rurais ainda enfrentam desafios para recompor sua capacidade financeira. Mesmo com uma perspectiva mais favorável para alguns segmentos do agronegócio, os efeitos de ciclos anteriores, com custos elevados, oscilações de preços e restrição ao crédito seguem impactando o fluxo de caixa e a capacidade de pagamento no setor”, afirma.
Grandes produtores e arrendatários concentram maiores índices
Na divisão por perfil, os produtores sem informação de registro rural — grupo que pode incluir arrendatários e integrantes de grupos familiares ou econômicos — apresentaram a maior taxa de inadimplência, de 11%.
Na sequência aparecem os grandes proprietários rurais (9,9%), os médios (8,6%) e os pequenos produtores (8,3%).
Faixa entre 30 e 39 anos lidera inadimplência
O levantamento também mostra que a inadimplência é maior entre produtores em idade economicamente mais ativa. O maior percentual foi registrado na faixa de 30 a 39 anos, seguida pelos produtores de 18 a 29 anos e de 40 a 49 anos.
A partir dos 50 anos, os índices diminuem gradualmente.
Norte registra maior percentual
Entre as regiões brasileiras, o Norte apresentou a maior taxa de inadimplência, com 13,2% dos produtores rurais em atraso.
Na sequência aparecem:
- Norte: 13,2%
- Nordeste: 10,2%
- Centro-Oeste: 10,1%
- Sudeste: 7,3%
- Sul: 6,2%
De acordo com a Serasa Experian, os dados reforçam diferenças no comportamento da inadimplência entre as regiões do país.
Agro Score aponta aumento do risco de crédito
A Serasa Experian também informou que a pontuação média do Agro Score, ferramenta de análise de crédito voltada ao agronegócio, caiu de 606 pontos no primeiro trimestre de 2025 para 591 pontos no mesmo período deste ano.
Segundo a empresa, o indicador utiliza inteligência artificial e técnicas de machine learning para combinar informações financeiras, cadastrais e dados específicos da atividade rural, auxiliando instituições financeiras, cooperativas e empresas na avaliação do risco de crédito.