Colheita do feijão carioca amplia oferta e acomoda cotações

Por: Rogério Cabral

O avanço da colheita da terceira safra irrigada de feijão carioca de melhor qualidade ampliou a oferta no mercado brasileiro e favoreceu a acomodação dos preços, segundo análise do Indicador de preços do Cepea/CNA divulgada em 13 de julho de 2026. No mesmo período, o feijão preto manteve cotações firmes, sustentadas pela oferta restrita após o encerramento da segunda safra.

Entre 2 e 9 de julho, o mercado do feijão carioca de peneira 12 ou nota 9,0 registrou maior disponibilidade de lotes superiores, o que levou compradores a adotar postura mais cautelosa e a pressionar por valores menores. A queda mais intensa foi observada em Itapeva (SP), com recuo de 6,48%.

Em algumas praças, porém, a menor oferta regional sustentou altas. No Sul/Sudoeste de Minas Gerais, os preços subiram 7,23%, enquanto Belo Horizonte (MG) registrou valorização de 2,23%. A análise aponta mercado equilibrado, com viés de estabilidade a leve baixa, embora os lotes superiores sigam recebendo prêmios em regiões com oferta mais restrita.

No feijão carioca de notas 8 e 8,50, os estoques remanescentes sustentaram as cotações na maior parte das regiões acompanhadas. Em Minas Gerais, a preferência por grãos de melhor padrão provocou queda de 6,11% no Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba. No Paraná, a menor oferta favoreceu novas altas. Em Sorriso (MT), a valorização foi de 6,20%, impulsionada pela entressafra e pela oferta limitada.

No feijão preto tipo 1, todas as regiões monitoradas registraram alta, com destaque para o Oeste de Santa Catarina, onde os preços avançaram 3,45%. O mercado foi sustentado pelo encerramento da colheita da segunda safra e pela retenção dos melhores lotes pelos produtores.

No comércio exterior, o Brasil embarcou 149,27 mil toneladas de feijão no primeiro semestre de 2026, volume recorde para o período. As importações somaram 22,34 mil toneladas, abaixo dos embarques. As compras de feijão preto argentino seguem ocorrendo de forma pontual.

O mercado de feijão iniciou julho com maior oferta de carioca de melhor qualidade, sustentação no segmento intermediário e firmeza no feijão preto, em um cenário marcado por exportações recordes no primeiro semestre de 2026.

Fonte: cnabrasil.org.br