Segundo a consultoria, volume chegará a 115,8 milhões de toneladas; apesar da queda, é mais uma boa safra, prejudicada pelo cenário econômico adverso
A colheita da safrinha de milho desta temporada 2025/26 deverá alcançar 115,8 milhões de toneladas, segundo projeção divulgada nesta quinta-feira pela Agroconsult.
Calculado após o encerramento da coleta de dados realizada pelo Rally da Safra, expedição técnica promovida pela consultoria, o volume representa uma queda de 7,6% em relação ao estimado para o ciclo anterior (125,3 milhões de toneladas).
Na comparação com a estimativa mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para 2025/26, o número da Agroconsult é quase 8 milhões de toneladas superior.
Segundo André Debastiani, sócio-diretor da empresa e coordenador do Rally da Safra, mesmo com a retração se trata de mais uma safrinha farta, suficiente para atender à crescente demanda doméstica para a produção de rações e etanol de milho e também para engordar as exportações brasileiras, embora no front externo a oferta seja ampla graças a boas colheitas nos EUA e na Argentina. O problema, observou, é que as margens de lucro estão bastante pressionadas por aumento de custos, preços mais baixos e condições macroeconômicas adversas, com juros elevados e crédito restrito. No Paraná, um dos maiores produtores de milho safrinha do país, as margens estão até 40% inferiores às observadas em 2024/25.
Nas contas da Agroconsult, a área plantada total da safrinha atingiu 18,2 milhões de hectares este ano, praticamente a mesma de 2025. Já a produtividade média das lavouras deverá cair de 114,9 para 105,9 sacas por hectare ante a temporada 2024/25, considerada pela consultoria como a “mãe de todas as safrinhas” pelos resultados positivos verificados. Mesmo com a elevada base de comparação, em áreas do médio-norte e do oeste de Mato Grosso e em São Paulo, por exemplo, os rendimentos foram maiores que os do ano passado.
Em Mato Grosso como um todo, apontou a Agroconsult, a produtividade média das plantações deverá chegar a 130 sacas por hectare, em baixa de 1,4% ante o ciclo 2024/25. O Estado lidera a produção nacional, e deverá colher 58 milhões de toneladas. Em Mato Grosso do Sul, a queda tende a ser de 2,6%, para 99,3 sacas por hectare, enquanto em Goiás, que sofreu mais com problemas derivados do clima, a redução deverá ser de 34,6%, para 83 sacas. Na região conhecida como Mapito, a consultoria prevê queda de 14,9%, ao passo que em Minas Gerais a baixa está projetada em 22,2%.
Afora as questões ligadas às janelas ideais de plantio e ao clima durante o desenvolvimento da produção, queexplicam os altos e baixos que resultam em uma colheita menor, porém ainda volumosa, pelo menos uma praga chama a atenção na temporada atual: a lagarta do cartucho, cuja incidência aumentou, apesar dos trabalhos de manejo dos agricultores, e poderá ser responsável pela perda de pelo menos 700 mil toneladas de milho na atual safrinha.
Fonte: NPAgro