O mercado físico do boi gordo encerrou a última semana com preços firmes na maior parte das regiões pecuárias do país, apesar da baixa liquidez observada nas negociações. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a participação reduzida de frigoríficos e pecuaristas limitou o volume de negócios, mas a oferta restrita de animais terminados impediu pressões baixistas mais consistentes.
De acordo com o Cepea, as oscilações registradas ao longo da semana foram pontuais e não indicam uma tendência de queda para o mercado. O cenário continua sendo sustentado pelas escalas de abate relativamente curtas e pela dificuldade dos frigoríficos em encontrar lotes prontos para negociação.
Oferta enxuta sustenta mercado
No noroeste do Paraná, uma das regiões que apresentou maior valorização na semana, compradores permaneceram ativos em busca de animais, mas enfrentaram uma oferta limitada.
Segundo agentes consultados pelo Cepea, há poucos bovinos disponíveis para venda, o que mantém as cotações firmes. A demanda segue concentrada no mercado interno, com preços da arroba variando entre R$ 335 e R$ 350.
Em Rondonópolis (MT) e em outras importantes praças pecuárias acompanhadas pelo Centro de Pesquisas, o ritmo dos negócios foi mais lento, com muitos agentes fora do mercado tanto do lado comprador quanto vendedor. Ainda assim, os preços permaneceram estáveis, oscilando entre R$ 340 e R$ 350 por arroba.
As escalas de abate ficaram entre seis e oito dias na maior parte das regiões monitoradas.
São Paulo mantém patamar acima de R$ 350
Em São Paulo, principal referência nacional para o mercado do boi gordo, a liquidez também foi reduzida, mas sem impacto negativo sobre os preços.
O Indicador Cepea registrou média à vista de R$ 353,40 por arroba na sexta-feira, mantendo praticamente o mesmo patamar observado ao longo da semana.
No atacado, o mercado de carne bovina também apresentou estabilidade. A carcaça casada de boi foi negociada, em média, a R$ 24,71 por quilo à vista.
Paraná e Triângulo Mineiro lideram altas
Entre as regiões acompanhadas pelo Cepea, algumas registraram reajustes positivos mais expressivos na comparação semanal.
O destaque ficou para o noroeste do Paraná, onde a arroba avançou quase 2% em relação à semana anterior. Já o Triângulo Mineiro apresentou valorização de 1,41% no mesmo período.
Segundo analistas, o cenário reforça a sustentação do mercado neste período de transição entre o outono e o inverno, estação que tradicionalmente reduz a oferta de animais terminados em algumas regiões do país.
Mercado de reposição segue pressionado
Enquanto o boi gordo mantém firmeza, o mercado de reposição apresentou comportamento diferente.
Os preços do bezerro seguiram pressionados ao longo das últimas semanas. Em Mato Grosso do Sul, o indicador do bezerro registrou média à vista de R$ 3.396,76 na sexta-feira, acumulando queda de 0,66% em junho.
A expectativa do setor é de que a oferta de animais jovens continue influenciando o mercado de reposição, enquanto o segmento do boi gordo segue sustentado pela disponibilidade limitada de bovinos prontos para o abate.