Coesão público-privado será para o agro, e Brasil, sagradaCoesão público-privado será para o agro, e Brasil, sagrada

Por: José Luiz Tejon

*José Luiz Tejon

Não teremos mais chances de realizarmos nos próximos 40 anos o que o Brasil conseguiu realizar nos últimos sem uma sólida coesão dos interesses estratégicos combinados e coesos entre as organizações do setor privado com a governança do estado brasileiro.

O exemplo entre uma aparente falta de timing, de orquestração ensaiada pronta e preparada na questão de documentos sobre antimicrobianos para a união europeia, consegue colocar um obstáculo num acordo que é discutido ao longo dos últimos 25 anos, que é de evidente gigantesca importância tanto para o Mercosul quanto para a União Europeia, num cenário inédito global com Trump reinando na mídia clássica e social e também nos conflitos de forma presencial. Quer dizer, este acordo é emblemático para o mundo inteiro.

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Portanto, não poderemos mais viver de alguns momentos onde heróis do governo existiram e foram, sem dúvida, para o agro brasileiro decisivos, minimamente podemos mencionar quatro ministros dentre todos desde 1970 com significativo impacto abrindo portas para a iniciativa privada vender para o mundo, como os ministros Cirne Lima, Alysson Paolinelli, Roberto Rodrigues e Tereza Cristina. Também vale enaltecer funcionários e equipes do Mapa, das áreas sanitárias, regulatórias, Embrapa, etc, onde pessoalmente identificamos legítimos guerreiros da mesma forma.

Por outro lado despontaram no empreendedorismo e no cooperativismo outros heróis que ergueram empresas competitivas, cooperativas exemplares, propriedades agrícolas únicas na inteligência agro ambiental tropical, com diversos exemplos que explicam a posição brasileira no agro mundial hoje, onde eu particularmente tive a sorte de conviver direta e presencialmente com dois desses heróis, o Shunji Nishimura da Jacto e o Ney Bittencourt de Araújo da Agroceres e com toda rede exemplar de empresários ao longo destes últimos 40 anos. Com certeza você lembrará de dezenas da mesma forma exemplares.

Mas e agora, daqui para frente? Não pode mais haver separação entre os interesses do estado, da nação brasileira, fundamentados em legítima análise geopolítica, competitividade, num plano estratégico onde governo, o público, e o privado, com e sem fins lucrativos, não tenham uma mesma partitura para orquestrar as músicas que precisamos interpretar e o país escutar bem, como ao mundo todo, essa canção podermos levar a corações e mentes encantar.

A velocidade dita o ritmo e se perdermos um particular “instante” não governamos a orquestra. Agora a coesão tática, estratégica e das percepções exige maestria, foco total e o jogo será decidido num detalhe, numa desatenção, num acorde tardio que alguém esqueceu, ou não estava alertado o suficiente para o realizar no precioso, e exato momento, naquele instante.

Coesão das corporações empresariais com as questões de governo no imperativo maior do estado brasileiro passa a ser vital na guerra mundial do comércio, do crescimento do PIB, e na segurança da dignidade de vida para a população brasileira, das nações tropicais e mundiais. Winston Churchill disse na 2ª guerra mundial: “nunca tantos deveram tanto a tão poucos”. Serve para nossa história agro brasileira até aqui. Mas daqui para frente precisamos de muitos de todos, os próximos 40 anos não ganharemos mais com discussões político ideológicas de esquerda x direita. Daqui para frente ou cooperamos e ganhamos ou brigamos e nos derrotamos.

40 anos em 4, que seja o lema da coesão da sinfonia que precisamos conduzir, caso contrário não será nem rap, nem funk, nem samba ou sertanejo, será apenas a bagunça de uma cacofonia de perdidos na “egolatria”.

Coesão público-privado, Plano de Estado.

*José Luiz Tejon é doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai, mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie, jornalista e publicitário, com especializações em Harvard, MIT e PACE/USA e Insead na França. Colunista de várias rádios do Brasil, TVs, jornais, revistas, mídias sociais, autor e coautor de 37 livros. Coordenador acadêmico de Master Science Food & Agribusiness Management pela Audencia em Nantes/França e FECAP/Brasil. Sócio Diretor da Biomarketing e da TCA International. Vice-presidente da Fundação Brasileira de Marketing (FBM) e da ADVB – Fundação Brasileira de Marketing e Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil. Profissional Head Agro Anefac. Prêmio Personalidade Agro ABAG 2023. Ex-diretor do Grupo Estadão, da Agroceres e da Jacto S/A.