O mercado de feijão seguiu em valorização em maio, segundo dados do Indicador Cepea/CNA divulgados nesta segunda-feira (18), em Brasília. O movimento envolve tanto o feijão carioca quanto o preto e está associado à restrição de oferta e às incertezas climáticas no Sul do país. Até o dia 15, a média regional do carioca acumulava alta anual superior a 70%, enquanto o preto avançava 32,3% no mesmo intervalo.
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os preços do feijão carioca atingiram os maiores níveis da série histórica iniciada em setembro de 2024. No caso do feijão preto, a sustentação das cotações decorre principalmente do menor volume de produção nesta safra.
Ao longo da semana, a valorização foi disseminada nas praças acompanhadas. A demanda permaneceu concentrada no Paraná, em função do ritmo atual de colheita no estado. Parte dos grãos, porém, apresenta elevada umidade, o que exige secagem antes da comercialização e reduz a disponibilidade imediata de produto em condição adequada.
No feijão preto, entre sexta-feira (8) e sexta-feira (15), os preços subiram 14,08% em Curitiba e 14,29% na Metade Sul do Paraná. Em Itapeva (SP), a alta foi de 8%. Segundo o levantamento, a procura por novos lotes e a postura mais firme dos produtores deram suporte ao mercado, em meio à avaliação de possíveis prejuízos em lavouras mais tardias após geadas registradas no início da semana em áreas de baixada do Sul.
Para o carioca notas 8 e 8,5, os aumentos mais expressivos também ocorreram no Paraná, com avanço de 12% na Metade Sul e de 10,71% em Curitiba. Já no carioca peneira 12, ou nota 9 ou superior, a escassez de lotes dentro do padrão exigido pela indústria mantém as cotações em patamares recordes. No Noroeste de Minas Gerais, os preços subiram 8,29%, refletindo o baixo volume de grãos armazenados disponíveis.
O cenário segue condicionado à evolução da oferta e à confirmação dos efeitos das geadas sobre as lavouras do Sul. Segundo o Cepea/CNA, os impactos ainda estão em avaliação, o que limita projeções mais amplas para o curto prazo, mas mantém o mercado atento à disponibilidade e à qualidade dos lotes.
Fonte: cnabrasil.org.br