Entidades do agro do Brasil reagem à proibição da UE de importar carne, aves e ovos

Por: Rogério Cabral

Após a União Europeia anunciar a suspensão da importação de bovinos, equinos, aves, ovos e mel do Brasil, entidades do agronegócio se manifestaram sobre a decisão.

Em nota à imprensa, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que o Brasil segue habilitado a exportar carne bovina para o mercado europeu.

Segundo a entidade, não há qualquer proibição imediata das exportações para o bloco e a medida anunciada está relacionada à implementação de novas exigências regulatórias referentes ao uso de antimicrobianos na produção animal, com entrada em vigor prevista para setembro de 2026.

“O eventual impedimento às exportações somente ocorrerá caso as garantias e adequações requeridas pelas autoridades europeias não sejam apresentadas até a data estabelecida”, destacou a associação.

Ainda de acordo com a Abiec, a entidade tem trabalhado em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico com as autoridades competentes sobre o tema.

A associação também informou que há previsão de uma missão europeia ao Brasil no segundo semestre para avançar e concluir o processo técnico de avaliação.

Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que o Brasil, por meio do Ministério da Agricultura e Pecuária e com apoio técnico do setor produtivo privado, prestará todos os esclarecimentos necessários à União Europeia sobre as diretrizes técnicas relacionadas aos antimicrobianos, com o objetivo de garantir o retorno do país à lista de exportadores autorizados.

Segundo a entidade, o Brasil cumpre integralmente os requisitos estabelecidos pela União Europeia, inclusive no que se refere às regras sobre antimicrobianos.

A ABPA também destacou que o Ministério da Agricultura já mantém tratativas para demonstrar às autoridades sanitárias europeias que os protocolos exigidos pelo bloco são plenamente atendidos pelas empresas brasileiras e fiscalizados pelo órgão oficial, tanto para exportações quanto para o mercado interno.

Por fim, a entidade reforçou que o país possui estruturas sanitárias e sistemas de controle produtivo robustos, com rígidos protocolos de rastreabilidade, monitoramento veterinário e uso responsável de medicamentos, alinhados às referências internacionais de saúde animal e segurança dos alimentos.