Duas empresas paulistas participaram do Espaço Sebrae durante a 31ª Agrishow, em Ribeirão Preto, apresentando produtos ligados à agroindústria artesanal e ao desenvolvimento de novos mercados no setor rural. A produtora Alma de Gato, de Ourinhos, exibiu uma cachaça extra premium premiada em concurso internacional no Chile, enquanto a ZAAD Chocolates destacou o avanço da cacauicultura em São Paulo como alternativa para reduzir custos logísticos e ampliar a qualidade da produção de chocolate fino
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O setor de bebidas artesanais ganhou relevância estratégica na Agrishow por conectar pequenos produtores do Sudoeste Paulista a novos mercados e investidores do agronegócio. Além da medalha internacional, a marca foi selecionada para integrar o Guia Mapa da Cachaça, publicação que reúne as melhores produções do território brasileiro. “Essa inclusão coroou o trabalho feito com preciosidade e serviu como uma recompensa pela qualidade técnica do nosso produto hoje”, ressaltou Silvana Peixoto.
Com produção situada no Sítio Engenho Velho, em Ourinhos, a empresa mantém o controle de toda a cadeia produtiva, desde o plantio da cana-de-açúcar até o envase final. A propriedade rural também aposta no turismo pedagógico e de experiência, recebendo visitantes interessados em conhecer os processos de destilação mediante agendamento prévio. “Mantemos a propriedade aberta para quem deseja conhecer o processo artesanal de perto e vivenciar a rotina do nosso sítio”, finalizou a empresária.
Expansão da cacauicultura em São Paulo promete reduzir custos e elevar qualidade do chocolate fino

A chegada das lavouras de cacau ao Estado de São Paulo representa uma mudança estratégica para a indústria de chocolates finos, que historicamente dependia de fornecedores de regiões distantes como a Bahia e o Norte do país. Durante a 31ª Agrishow, em Ribeirão Preto, Márcia Alves, da ZAAD Chocolates, ponderou que a proximidade com o campo é fundamental para o controle de qualidade.
“A gente vê São Paulo como um grande potencial na produção de cacau; temos uma demanda muito grande de chocolate cacau fino e a chegada da produção aqui vai nos ajudar muito a ter produtores mais próximos para conseguirmos desenvolver um produto de qualidade”, afirmou a empresária.
A viabilidade econômica do projeto em solo paulista também passa pela redução drástica nos custos operacionais, especialmente no que diz respeito ao transporte da matéria-prima até a fábrica em Cotia. De acordo com a entrevistada, o modelo atual impõe desafios financeiros e técnicos que a produção regionalizada poderá sanar de forma eficiente. “A gente trabalha com um frete de cacau muito alto; com a produção em São Paulo, vamos conseguir trabalhar junto ao produtor para desenvolver a qualidade e o frete será menor”, explicou Alves.
A consolidação dessa nova fronteira agrícola ganha visibilidade na Agrishow, considerada a maior vitrine de tecnologia agrícola da América Latina e palco essencial para o fomento de novos cultivos e parcerias comerciais no agronegócio. A feira serviu como ponto de convergência para o desenvolvimento técnico que já ocorre em polos como São José do Rio Preto e o Vale do Ribeira, onde testes com o fruto já estão em estágio avançado em parceria com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI). “Já estamos fazendo os testes com o cacau de São Paulo e eu espero que dê muito certo, porque a gente precisa estar mais perto dos produtores”.
Programa estadual amplia cultivo de cacau para regiões do interior paulista

O cultivo de cacau em São Paulo, presente desde a década de 1970 em regiões como o Vale do Ribeira e o litoral paulista, passou a avançar para novas áreas do interior do Estado. Durante apresentação na Agrishow 2026, representantes do setor informaram que o programa estadual “Cacau São Paulo” vem incentivando a expansão da cultura para regiões como o Oeste Paulista, Centro-Oeste e São José do Rio Preto. “Estamos mostrando que é possível produzir cacau em praticamente todo o Estado”, afirmou o diretor estadual da Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), Ricardo Pereira.
Segundo Pereira, a adaptação da cultura ocorre com apoio técnico e utilização de materiais genéticos desenvolvidos para diferentes condições climáticas. A exceção, de acordo com os técnicos envolvidos, está em áreas de temperaturas mais baixas, consideradas menos adequadas para o desenvolvimento da planta. “O cacau é uma cultura com valor agregado e pode atender pequenos, médios e grandes produtores”, explicou. A iniciativa reúne órgãos ligados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, que atuam em etapas como pesquisa, produção de mudas, assistência técnica e validação industrial. A CATI participa da distribuição de mudas e acompanhamento aos produtores, enquanto institutos estaduais trabalham no desenvolvimento de variedades adaptadas ao território paulista. “Há um trabalho integrado desde a produção até a assistência técnica ao agricultor”, destacou.
O programa também envolve estudos econômicos e apoio à cadeia industrial do cacau, incluindo produtores artesanais e empresas do setor alimentício. De acordo com os organizadores, o objetivo é estruturar uma cadeia produtiva regionalizada, reduzindo custos e ampliando a oferta da matéria-prima no Estado.
“A Secretaria inteira está empenhada em desenvolver essa atividade agrícola em São Paulo”, concluiu.