Alambiques históricos, bebidas premiadas e turismo rural no interior do estado: conheça as ‘Rotas da Cachaça’ em SP

Por: Rogério Cabral
Conheça as Rotas da Cachaça de SP, que reúnem alambiques históricos, bebidas premiadas e turismo rural — Foto: Paulo Li/Expressão Studio

Trajetos foram lançados em dezembro de 2025 para fortalecer patrimônio cultural e estimular o turismo em rotas que conectam produtores, história, gastronomia e experiências ligadas ao destilado

Da Rússia vem a vodka, do México a tequila, e do Brasil a cachaça. Produzida a partir da fermentação e destilação da cana-de-açúcar, a bebida é um dos maiores símbolos da cultura brasileira, com quase 500 anos de história e reconhecimento internacional.

Para valorizar esse patrimônio cultural e estimular o turismo rural, o Governo de São Paulo lançou as Rotas da Cachaça, um conjunto de trajetos turísticos que conectam produtores, alambiques históricos, gastronomia regional e experiências ligadas à bebida.

Ao todo, são dez rotas, que reúnem 65 produtores distribuídos pelo interior paulista — regiões onde a cachaça é conhecida por diversos nomes: pinga, caninha, branquinha, marvada, aguardente, abre-coração, quebra-goela e até água-benta.

Conheça as Rotas da Cachaça de SP, que reúnem alambiques históricos, bebidas premiadas e turismo rural — Foto: Paulo Li/Expressão Studio

O estado de São Paulo ocupa hoje um papel de destaque no setor ao liderar as exportações nacionais de cachaça, com 6,6 milhões de litros enviados ao exterior, o equivalente a 46% do total exportado pelo país.

Além disso, concentra alguns dos alambiques mais antigos, premiados e tecnologicamente avançados do Brasil.

“Esta é a bebida que mais simboliza a cultura brasileira, e o mercado internacional já abraça essa tradição. Os alambiques paulistas têm legado, qualidade e posicionaram São Paulo como o principal exportador”, afirmou o vice-governador Felício Ramuth no evento de lançamento, em dezembro de 2025.

Conheça as Rotas da Cachaça em São Paulo
As rotas foram organizadas a partir de critérios geográficos, facilitando o deslocamento dos visitantes. Cada uma reflete características próprias do território, do clima e da tradição produtiva local.

Centro Paulista

Bauru, Estiva Gerbi, Lençóis Paulista, Jaú, Mogi-Guaçu e Pirassununga.
É um dos polos mais consolidados da produção paulista, com foco em qualidade, inovação e envelhecimento em madeiras brasileiras.

Circuito das Águas e Nascentes

Amparo, Monte Alegre do Sul, Piracaia, Serra Negra e Socorro.
A cachaça da região dialoga com a gastronomia local e com o turismo de natureza, aproveitando clima ameno e forte identidade rural.

Bandeirantes

Atibaia, Artur Nogueira, Capivari, Itatiba, Itupeva, Jarinu, Jundiaí, Mairinque, Nova Odessa, Santa Bárbara d’Oeste e São Roque.
A rota se destaca pela proximidade com a capital e pela integração com o enoturismo e a gastronomia. Muitas propriedades oferecem experiências completas, com visita aos alambiques, degustações e harmonizações.

Itaqueri, Cuesta e Tietê

Analândia, Bofete, Botucatu, Dourado, Piracicaba, Rio Claro, Torrinha e Torre de Pedra.
Região marcada por relevos naturais, tradição agrícola e forte ligação com a história da cana-de-açúcar. A produção valoriza métodos artesanais e o uso de leveduras naturais.

Alta Paulista

Dracena, Platina, Tupã e Ourinhos.
As cachaças da Alta Paulista costumam apresentar perfil mais intenso, refletindo o clima quente e a maturação acelerada da cana.

Serras Paulistas

Divinolândia, São João da Boa Vista e Vargem Grande do Sul.
Se destacam pela altitude e clima diferenciado. Esses fatores influenciam a fermentação e o envelhecimento, resultando em destilados mais aromáticos e equilibrados.

Mogiana

Batatais, Cássia dos Coqueiros, Itirapuã, Igarapava, Jaboticabal, Mococa, Pontal, São Simão e São José do Rio Pardo.
Tradicional região cafeeira, com cidades como, a Mogiana também é referência em cachaças premium. A produção alia tradição centenária, controle de qualidade rigoroso e forte presença em concursos nacionais e internacionais.

Noroeste Paulista

Batatais, Cássia dos Coqueiros, Itirapuã, Igarapava, Jaboticabal, Mococa, Pontal, São Simão e São José do Rio Pardo.
Região em expansão, com produtores que apostam em inovação, turismo de experiência e novos mercados, fortalecendo a identidade da cachaça paulista.

Destinos e Experiências

Caçapava, Capão Bonito, Guararema, Iporanga, José Bonifácio, São Luiz do Paraitinga, São Paulo e Taquaritinga.
A rota valoriza vivências culturais, festas tradicionais, gastronomia regional e integração com outros atrativos turísticos.

Destinos de Negócios

Guatapará, Ipeúna, Itu, São Pedro, São Paulo e Votuporanga.

Região concentra produtores voltados à escala, exportação e inovação tecnológica, conectando o setor a feiras, eventos e mercados internacionais.

Fonte: g1 Bauru

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