Irregularidade das chuvas marca safras de soja e milho no Brasil; o que esperar em 2026?

Por: Rogério Cabral

O produtor brasileiro, que está sempre de olho na previsão do tempo, conhece bem os efeitos dos fenômenos climáticos. A safra 2024/25 foi regida pela influência do El Niño, com estiagem e sucessivas ondas de calor; já a temporada 2025/26 ocorre sob efeito do La Niña. Apesar das temperaturas mais amenas, o período foi marcado pela irregularidade das chuvas.

O meteorologista, no entanto, avalia que o país conseguiu alcançar uma boa produção geral. Nessa safra, a maior preocupação é com o alto índice de replantio, situação provocada justamente pela falta de regularidade das chuvas.

Chuvas retornam no 1º trimestre

Enquanto 2025 terminou com a irregularidade das precipitações, a expectativa agora é que as chuvas retornem com mais intensidade, principalmente em janeiro, fevereiro e março. Segundo Müller, as condições vão ajudar as lavouras de soja semeadas mais tardiamente, com exceção de quem já está colhendo e plantando milho.

“O produtor acaba perdendo a janela ideal de umidade para o desenvolvimento do milho segunda safra”, diz.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que o plantio da soja está praticamente finalizado, com 97,9% da área total semeada. Para o milho verão, a estatal aponta que a semeadura atingiu 85,6%. Conforme o resultado, as duas culturas estão com os trabalhos adiantados na comparação com a média dos últimos cinco anos.

“Há um comprometimento relevante do volume do milho de segunda safra, porque nas áreas onde houve replantio, muito provavelmente o produtor vai optar por outro cultivo”, afirma. Entre o fim de abril e o início de maio, que marca o fim do plantio da cultura, a tendência é de diminuição nos volumes de chuva.