600 mm de chuva até meados de outubro: região brasileira será castigada pelas chuvas excessivas; saiba qual

Por: Rogério Cabral

A umidade do solo em Mato Grosso, que ficou abaixo da média durante praticamente todo o mês de setembro, deve se recuperar no início de outubro, com o indicador podendo superar 31% e se aproximar da média histórica. A melhora, porém, pode ser temporária, já que os modelos apontam nova queda nos dias seguintes, segundo análise da EarthDaily, empresa de monitoramento agrícola por satélite.

Entre 22 de setembro e 1º de outubro, chuvas atingiram boa parte do Centro-Sul do Brasil. No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul e áreas de Mato Grosso e Goiás receberam volumes acima da média, favorecendo a recuperação da umidade do solo e o início da safra de soja e milho verão. Por outro lado, outras áreas de Mato Grosso e Goiás registraram volumes menores.

O que vem por aí?

Para 7 de outubro, o modelo europeu ECMWF indica melhora expressiva das condições hídricas no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul. Nos próximos dez dias, ECMWF e GFS projetam chuvas acima da média em grande parte do Centro-Sul, incluindo áreas produtoras de soja e milho, cenário que tende a favorecer o avanço do plantio da soja.

Apesar da previsão de chuvas, a EarthDaily alerta para a necessidade de precipitações regulares ao longo de outubro. Isso porque a recuperação da umidade em Mato Grosso pode perder força nos dias seguintes, o que mantém a atenção sobre as condições para o estabelecimento da soja da safra 2026/27.

Os modelos também divergem em relação às temperaturas. O ECMWF indica temperaturas próximas ou abaixo da média em grande parte das regiões produtoras, enquanto o GFS prevê temperaturas mais elevadas no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso.

De acordo com a EarthDaily, temperaturas mais amenas favorecem o aproveitamento das chuvas previstas. Já um cenário mais quente aumenta a demanda hídrica das lavouras e pode retardar a recuperação das áreas que ainda apresentam déficit de umidade.

Situação no Matopiba

No Matopiba, as chuvas acumuladas desde meados de setembro continuam abaixo da média histórica, apesar do aumento das precipitações no fim do mês. Maranhão e Piauí apresentam áreas com volumes acima da média, enquanto Tocantins e Bahia seguem predominantemente mais secos que o normal.

Para as próximas duas semanas, a diferença entre os modelos também chama atenção. O ECMWF projeta cerca de 49 milímetros de chuva no Matopiba, próximo da média histórica de 51 milímetros. Já o GFS estima aproximadamente 29 milímetros.

A confirmação de um cenário mais úmido ajuda na recuperação da umidade do solo e o avanço do plantio da soja. Caso prevaleça a previsão mais seca, as limitações hídricas podem continuar restringindo a semeadura em parte da região.

Por outro lado, no Sul…

No Sul do país, o cenário é diferente. Paraná e áreas do Rio Grande do Sul apresentam umidade do solo acima da média, condição favorável ao estabelecimento das lavouras de verão. Para o trigo, porém, a persistência de solos muito úmidos representa um risco, principalmente para áreas em maturação e colheita.

As chuvas se intensificaram nas últimas semanas no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. O volume acumulado desde o início de agosto já está bem acima da média histórica e, segundo o ECMWF, pode se aproximar de 600 milímetros até meados de outubro, ampliando o excesso de umidade em relação aos últimos anos.